O estudo "Neurological Manifestation Associated with Chikungunya Infection in a Pediatric Patient from Itacoatiara, Brazilian Amazon: A Case Report" foi conduzido por pesquisadores brasileiros do do Instituto Todos Pela Saúde, da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, da Universidade do Estado do Amazonas, da Universidade Federal do Amazonas, entre outras instituições. Os resultados foram publicados na revista internacional Viruses.
Métodos
Trata-se de um relato de caso clínico de um menino de 9 anos, com histórico de autismo e epilepsia controlada, que apresentou sintomas agudos como dor de cabeça, febre e uma crise convulsiva generalizada. O paciente foi atendido em hospital e inicialmente submetido a exames clínicos e de imagem, que não identificaram uma causa clara para as convulsões. Testes sorológicos adicionais foram realizados para investigar infecções virais, incluindo a pesquisa do vírus chikungunya. A presença de infecção por chikungunya foi confirmada por métodos laboratoriais específicos. A criança recebeu tratamento de suporte, incluindo medicamentos anticonvulsivantes e antibióticos para pneumonia bacteriana secundária, com acompanhamento clínico durante a recuperação.
Achados principais
Embora a imagem neurológica inicial e exames do líquido cerebroespinhal não tenham mostrado alterações claras, testes sorológicos identificaram a presença do vírus chikungunya no paciente. O tratamento de suporte clínico incluiu anticonvulsivantes e cuidados gerais, e o menino apresentou recuperação gradual. Esse caso reforça que, além dos sintomas tradicionais da doença — geralmente transmitida por mosquitos —, o vírus chikungunya pode, em situações raras, afetar o sistema nervoso e provocar manifestações neurológicas severas em crianças.
Interpretação
Este relato destaca que o vírus pode ocasionar complicações neurológicas em pacientes pediátricos, mesmo na ausência de sinais estruturais óbvios em exames iniciais. Casos como esse, embora raros, são importantes para alertar profissionais de saúde sobre a necessidade de considerar o chikungunya no diagnóstico diferencial de crises convulsivas agudas, especialmente em áreas endêmicas da Amazônia onde vírus transmitidos por mosquitos estão presentes. A identificação precoce por meio de testes laboratoriais e o manejo clínico adequado podem ser determinantes para a evolução favorável desses casos.