O Instituto Todos pela Saúde (ITpS) marcou presença na 18ª Reunião Nacional de Pesquisa em Malária, realizada de 25 e 28 de abril, em Campos do Jordão (SP), e promoveu a mesa Síndromes Febris no Brasil, com moderação do diretor de Operações, Vanderson Sampaio. O painel contou com apresentações do próprio Sampaio; da infectologista Tânia Chaves, pesquisadora em saúde pública do Instituto Evandro Chagas e professora da Universidade Federal do Pará; e de Anielle de Pina Costa, professora de doenças infecciosas da Universidade Federal Fluminense e pesquisadora do ambulatório de doenças febris agudas da Fiocruz.
Em sua fala, Sampaio defendeu a evolução do modelo vigente de vigilância, estritamente baseado no rastreio clínico de doenças, para um sistema de vigilância de síndromes febris, que inclua a detecção de patógenos utilizando a genômica.
Vanderson Sampaio / Foto: Camila Gomes | ITpS
Sampaio ressaltou a enorme força da atual rede de diagnóstico de malária, especialmente na região amazônica. "Com quase 3 mil laboratórios instalados, esta estrutura possui capilaridade suficiente para avançar no diagnóstico de agentes emergentes, reemergentes e até de patógenos ainda desconhecidos", afirmou.
Neste contexto, o diretor do ITpS destacou o projeto Revisa, que integra dados clínicos, diagnósticos e metagenômicos para investigar febres de origem não identificada.
Na sequência, Tânia Chaves também abordou a questão das síndromes febris e tratou do forte impacto da mobilidade humana na disseminação de doenças infecciosas.
Tânia Chaves / Foto: Camila Gomes | ITpS
Tânia ressaltou que a vigilância epidemiológica contínua dos viajantes – entre eles trabalhadores do garimpo, populações ribeirinhas e indígenas e pesquisadores – é uma peça insubstituível para o controle territorial. Segundo ela, os viajantes funcionam como biossensores ecológicos, por serem os principais marcadores da entrada e da exportação de patógenos, alertando a rede de saúde para ameaças invisíveis.
Anielle de Pina Costa, por sua vez, abordou a vigilância de síndromes febris realizada na região extra-amazônica, que exige uma compreensão ampla da sintomatologia do paciente. Segundo ela, a classificação por ramificações (íctero-hemorrágica, neurológica, diarreica aguda, respiratória aguda e exantemática) permite excluir hipóteses de forma lógica e rápida. A tática é considerada essencial na saúde pública para conter surtos e mitigar a dispersão de doenças.
Anielle de Pina Costa / Foto: Camila Gomes | ITpS
A pesquisadora alertou ainda para pontos cegos fora da Amazônia, onde a falta de suspeita clínica inicial para malária eleva drasticamente a letalidade da doença entre viajantes.
Além de Sampaio, também acompanharam a reunião de malária pelo ITpS o coordenador científico, Anderson Britto, os pesquisadores Bárbara Chaves, Deney Araújo, Filipe Romero e Marcelo Bragatte; da Comunicação, estiveram presentes a gerente Bia Reis e a analista Camila Gomes.
No dia anterior, o ITpS havia promovido o simpósio Detecção Precoce de Surtos de Síndrome Febril, com apresentações de Deney e Bragatte.
O Instituto Todos pela Saúde foi uma das organizações patrocinadoras da 18ª Reunião Nacional de Pesquisa em Malária, ao lado de instituições como Gates Foundation e Medicines for Malaria Ventures, entre outras. O evento teve apoio do governo federal, Ministério da Saúde, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).