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Em duas semanas, identificação de BA.4 e BA.5 passa de 44% para 79,3% das amostras positivas de SARS-CoV-2
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Em duas semanas, identificação de BA.4 e BA.5 passa de 44% para 79,3% das amostras positivas de SARS-CoV-2

23.06.2022

A identificação das sublinhagens BA.4 e BA.5 da Ômicron passou de 44% para 79,3% das amostras positivas para SARS-CoV-2 em duas semanas. No período, a positividade de testes para covid-19 subiu dez pontos percentuais, de 38,9% para 49,1%. De 1º de março a 18 de junho, o Instituto Todos pela Saúde (ITpS) analisou 144.542 testes RT-PCR especial feitos pelos laboratórios privados Dasa e DB Molecular, a maior parte no Sudeste.



A Ômicron BA.1 chegou ao Brasil no início de dezembro de 2021, depois de ter sido identificada na África do Sul, e substituiu a variante Delta, que predominava até então. De janeiro a fevereiro de 2022, a BA.1 se manteve predominante. A partir de março, a BA.2 foi ganhando espaço lentamente e atingiu o ápice em meados de maio, quando houve a entrada da BA.4 e BA.5. Em duas semanas, o número de municípios com essas últimas sublinhagens identificadas foi de 118 para 172, um crescimento de 47,5%.


A expectativa é de que na próxima semana a BA.4 e a BA.5 representem quase 100% dos casos. Ao longo de julho deve ocorrer a queda de positividade dos testes e, consequentemente, de casos. Os impactos de BA.4 e BA.5 à saúde pública tendem a ser inferiores à onda BA.1.


“As pessoas que têm direito a doses adicionais de vacina contra covid-19 ou que ainda não se imunizaram devem procurar os postos de vacinação. O reforço é indispensável no atual cenário da pandemia e reduzir os eventuais danos à saúde”, alerta Jorge Kalil, diretor-presidente do ITpS e professor doutor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).


Dos estados das regiões com mais amostras coletadas, todos apresentam percentual de positividade acima de 35%. O Distrito Federal lidera, com 52%, seguido por Rio de Janeiro, com 47%, e São Paulo, com 46%.



Em relação à positividade de acordo com a faixa etária, o percentual é superior a 40% em todos os grupos a partir de 20 anos. Nas pessoas de 40 a 79 anos a taxa supera os 50%, chegando a 55% dos 50 aos 59 anos. O patamar já é similar ao observado no pico da sublinhagem BA.1, em janeiro.



O Instituto Todos pela Saúde está monitorando a chegada e a disseminação da Ômicron no Brasil desde dezembro — este é o 15º relatório —, em parceria com os laboratórios privados. O objetivo é fornecer para o poder público, a imprensa e a sociedade informações com agilidade para ajudar na tomada de decisões de saúde. Paralelamente, o ITpS também realiza o monitoramento da circulação de vírus respiratórios no país. Os dois relatórios são divulgados em semanas alternadas.


Na seção Pesquisas do site do Instituto Todos pela Saúde, o itps.org.br, estão todos os relatórios já divulgados.


A atuação do ITpS


O Instituto Todos pela Saúde (ITpS) é uma entidade sem fins lucrativos criada em fevereiro de 2021 com o objetivo de ajudar o Brasil a articular redes e desenvolver competências que ajudem no preparo para o enfrentamento das futuras emergências sanitárias, como surtos, epidemias e pandemias. O ITpS iniciou os trabalhos com um aporte de R$ 200 milhões feito com recursos da iniciativa Todos pela Saúde, criada em 2020 e que teve o Itaú Unibanco como principal doador. São parceiros institucionais a Academia Brasileira de Ciências (ABC), Academia Nacional de Medicina (ANM), a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP),  a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein e a Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês.


O ITpS atua em três frentes: 



  • Fortalecimento de redes de vigilância epidemiológica - Articular redes para a obtenção de informações científicas relevantes à saúde pública e cobrir lacunas relacionadas à baixa capacidade de sequenciamento genômico.

  • Análise de dados - Promover análise e integração de bancos de dados para influenciar políticas públicas baseadas em evidências científicas.

  • Formação e informação - Desenvolver profissionais que atuem com vigilância epidemiológica, genômica e análise de dados ligados a doenças infecciosas. Tornar públicos os dados científicos.


À frente do ITpS


Renomados pesquisadores, professores e gestores integram o conselho administrativo, o comitê científico e a direção do ITpS, que tem o imunologista Jorge Kalil como diretor-presidente. Professor titular de Imunologia Clínica e Alergia da Faculdade de Medicina da USP, Kalil é diretor do serviço de Imunologia Clínica e Alergia do Hospital das Clínicas de São Paulo e do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor). É membro do Conselho de Gestão de Dados e Segurança, grupo criado pelo governo dos Estados Unidos para supervisionar os testes de vacinas anti-covid-19 no país. Foi presidente do Instituto do Coração (2006-2008) e diretor do Instituto Butantan (2011-2017).

Instituto Todos pela Saúde (ITpS) Av. Paulista, 1.938 – 16º andar
São Paulo - SP – 01310-942