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Estadão: É falso que alerta da UFRJ sobre covid-19 seja 'armadilha' para desobstruir bloqueios em rodovias
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Estadão: É falso que alerta da UFRJ sobre covid-19 seja 'armadilha' para desobstruir bloqueios em rodovias

11.11.2022

Gabriela Meireles, especial para o Estadão


Uma publicação nas redes sociais teoriza que o alerta da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) a respeito do aumento de casos de covid-19 teria o objetivo de desmobilizar os manifestantes contrários ao resultado das eleições para presidente, devido ao risco provocado pela “aglomeração”. A alegação é falsa. O alerta foi feito a partir dos dados de uma nota técnica emitida no dia 3 de novembro pelo Centro de Triagem e Diagnóstico (CTD) do Núcleo de Enfrentamento e Estudos em Doenças Infecciosas (Needier/UFRJ).


O núcleo detectou um aumento substancial e progressivo no número de casos positivos para covid-19 a partir de outubro. De acordo com a diretora da entidade e autora do alerta, Terezinha Marta Castiñeiras, há indícios de uma nova onda de covid no Brasil, provavelmente ocasionada pela entrada da subvariante da Ômicron BQ.1, já identificada em São Paulo e no Rio de Janeiro.


A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) também registrou aumento nos casos de covid-19 em quatro estados: Amazonas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os dados constam no boletim InfoGripe desta quinta-feira, 10. Também foi notado aumento no monitoramento do Instituto Todos pela Saúde (ITpS).


A autora do vídeo aqui investigado afirma, sem provas, que o alerta emitido pela UFRJ é falso e tem como objetivo fazer com as manifestações contra o resultado das eleições sejam desmobilizadas. Ela desconsidera, contudo, que já havia uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para desobstrução das vias bloqueadas por manifestantes desde o dia 1º de novembro de 2022. A determinação não menciona risco de contágio, o que enfraquece a tese de que haveria um discurso combinado para desmobilizar os bloqueios nas rodovias.


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O último monitoramento da Ômicron, divulgado no dia 3 de novembro pelo Instituto Todos pela Saúde (ITpS), alerta que há um forte indício de uma nova onda de contágios pelo coronavírus no Brasil. Segundo a pesquisa, entre 8 e 29 de outubro, houve um aumento de 3% para 17% na positividade de testes para covid-19. A análise teve como base 595.534 testes feitos em laboratórios privados entre 5 de dezembro de 2021 e 29 de outubro deste ano.


De acordo com o pesquisador do ITpS e coordenador na Rede Análise, Marcelo Bragatte, essa nova onda já começou e é esperado um aumento de casos de contágio nas próximas semanas. “Mas é importante salientar que não terá as características nem a dimensão das primeiras ondas”, completa. “Não vai ser daquele nível de lotar hospitais, de ter muita gente pegando covid novamente e tendo sintomas graves, porque [hoje] a gente tem vacinação”, afirma.


Bragatte explica que novas variantes surgem naturalmente, pois o vírus segue circulando entre as pessoas. É também por essa razão que é tão difícil detectar a causa exata de uma nova onda de contágio. “Como vivemos em um mundo globalizado e dinâmico, são maiores as chances de pessoas suscetíveis serem contaminadas e termos outras variantes de interesse que podem ter mais sucesso que as anteriores ao invadir nossos corpos”, explica o pesquisador. “Quando uma dessas variantes consegue invadir muitas pessoas, torna-se uma variante de preocupação e pode ser a origem para novos surtos”, alerta.


Para prevenir o contágio, Bragatte ressalta a importância de se realizar um teste caso haja dúvida sobre uma possível infecção. Se o resultado for positivo, a pessoa deve evitar circular e utilizar máscara se tiver de se deslocar. “Quando esquecemos de nos vacinar e não nos cuidamos em locais com alta aglomeração, somos alvos para os vírus circulantes e podemos entrar na estatística como sendo um dos novos casos”, afirma.


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Conteúdo disponível no site do Estadão (clique aqui)

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