Pesquisadores do Instituto Todos pela Saúde, da Yale School of Medicine, da Yale School of Public Health e de outras instituições norte-americanas conduziram o estudo. Os resultados foram publicados na revista The Lancet Microbe.
Métodos
A pesquisa incluiu pacientes que apresentaram sintomas respiratórios e cujas amostras nasais foram coletadas no Yale New Haven Health System. Os participantes foram submetidos a testes convencionais para múltiplos vírus respiratórios, incluindo SARS-CoV-2. Em amostras que testaram negativo para esses vírus, os pesquisadores mediram os níveis de CXCL10, uma proteína produzida pelo organismo em resposta à infecção viral. Amostras com níveis elevados de CXCL10 foram selecionadas para sequenciamento de RNA de alto desempenho (RNA-Seq), uma técnica que identifica material genético de vírus ou outros microrganismos presentes no material coletado.
Achados principais
Os pesquisadores observaram que a presença de altos níveis de CXCL10 no nariz foi um marcador consistente de infecção viral, mesmo em casos inicialmente negativos para vírus comuns nos testes padrão. Em uma parte das amostras com CXCL10 elevado, o sequenciamento identificou vírus respiratórios que não tinham sido detectados pelos painéis convencionais, incluindo SARS-CoV-2 e outros coronavírus sazonais. Isso indica que a resposta do organismo — medida por esse marcador imunológico — pode ser usada como um sinal precoce para identificar a presença de vírus não diagnosticados.
Interpretação
Os resultados sugerem que medir a resposta imune local no nariz — especificamente os níveis de CXCL10 — pode ser uma maneira eficiente e prática de selecionar amostras que merecem investigação mais aprofundada por sequenciamento genômico. Isso pode tornar a vigilância de vírus respiratórios mais eficaz, especialmente para identificar patógenos emergentes ou casos que escapam aos testes convencionais. Essa abordagem baseada na resposta do hospedeiro pode fortalecer estratégias de monitoramento e ajudar a detectar com mais rapidez surtos ou novos vírus respiratórios, oferecendo uma ferramenta adicional para vigilância epidemiológica.