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Comunicação
Infecção pelo vírus Oropouche na Amazônia brasileira apresenta perfis clínicos e laboratoriais distintos
Artigos em revista científica

Infecção pelo vírus Oropouche na Amazônia brasileira apresenta perfis clínicos e laboratoriais distintos

03.10.2025

O estudo "Clinical and laboratory profiles of Oropouche virus disease from the 2024 outbreak in Manaus, Brazilian Amazon" foi conduzido por uma equipe de pesquisadores brasileiros com participação de instituições como Instituto Todos Pela Saúde, a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, a Universidade do Estado do Amazonas, a Universidade de São Paulo, entre outras. Os resultados foram publicados na revista internacional PLOS Neglected Tropical Diseases


Métodos


Foram analisados 51 casos confirmados de infecção pelo vírus Oropouche e 78 casos de dengue (DENV), todos recrutados de forma consecutiva em Manaus (Amazonas, Brasil) durante o surto de 2024. O diagnóstico de OROV foi realizado por RT-PCR em amostras de soro e urina, e as amostras positivas foram submetidas à genotipagem. Testes de neutralização por redução de placa (PRNT) foram feitos em amostras coletadas nos dias 1 e 28 de acompanhamento para confirmar respostas imunológicas. Foram avaliados sinais e sintomas, exames laboratoriais e perfis de citocinas em ambos os grupos.


Achados principais


A análise genômica confirmou a circulação de uma variante do vírus Oropouche resultante de reassortment, indicando transmissão local sustentada durante o surto de 2024 em Manaus. O diagnóstico por RT-PCR mostrou maior sensibilidade em amostras de soro em comparação às de urina. Do ponto de vista clínico, pacientes infectados pelo vírus Oropouche apresentaram com maior frequência sintomas como dor de cabeça intensa, mialgia, artralgia e exantema quando comparados aos casos de dengue. Em relação aos exames laboratoriais, níveis elevados de alanina aminotransferase (ALT) foram observados com maior frequência entre os casos de Oropouche. A avaliação imunológica revelou que a infecção pelo OROV induziu um aumento significativo de citocinas e quimiocinas inflamatórias, como CCL11 (eotaxina), CXCL10, interferon-gama (IFN-γ), IL-1RA e IL-10, especialmente na fase aguda da doença, com redução desses marcadores ao longo de 28 dias. Em contraste, em pacientes com dengue, alguns desses mediadores imunológicos apresentaram elevação apenas na fase de recuperação.


Interpretação


Os resultados indicam que, apesar de sintomas clínicos semelhantes entre OROV e dengue, existem padrões clínicos, laboratoriais e imunológicos distintos que podem ajudar a diferenciar essas infecções durante surtos em regiões endêmicas. Isso é crucial porque tanto Oropouche quanto dengue circulam de forma sobreposta na Amazônia, e o uso de estratégias diagnósticas integradas pode melhorar o manejo clínico e respostas de saúde pública. A presença de um genótipo viral específico também ressalta a importância de vigilância genômica contínua para monitorar padrões de transmissão e evolução do vírus. 


Para acessar o artigo, clique aqui.

Instituto Todos pela Saúde (ITpS) Av. Paulista, 1.938 – 16º andar
São Paulo - SP – 01310-942

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