O Instituto Todos pela Saúde (ITpS) sediou, em parceria com a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed), um encontro dedicado a discutir a interoperabilidade de dados em saúde, reunindo pesquisadores, gestores e representantes do setor de diagnóstico. O evento, realizado presencialmente na sede do ITpS, destacou que a integração de dados é essencial para reduzir desperdícios, aumentar eficiência e melhorar a coordenação do cuidado no país.
A diretora-executiva da Abramed, Milva Pagano, ressaltou o caráter estratégico da agenda conjunta. Para ela, o encontro foi um marco importante na parceria entre a associação e o ITpS ao permitir mapear desafios e oportunidades para avançar na interoperabilidade tanto no setor privado quanto no setor público, contribuindo com iniciativas que também dialogam com o Ministério da Saúde. "Essa é a nossa ideia de juntos podermos contribuir e avançar na agenda de interoperabilidade do país", afirmou.
Diagnóstico do cenário e desafios estruturais
A programação teve início com a palestra "Interoperabilidade de Dados de Saúde no Brasil – Desafios e Oportunidades", apresentada por Juan Carlo Santos, pesquisador científico do ITpS. Ele destacou que, embora muitas vezes vista como um tema técnico, a interoperabilidade envolve dimensões políticas, de governança e de gestão de dados.
"A tecnologia, hoje em dia, não é, de forma alguma, um gargalo — é a solução", afirmou, reforçando que o desafio está em estruturar fluxos que conectem as partes técnicas, gerenciais e institucionais. "O grande ganho do encontro foi pautar todos esses eixos e mostrar como "tecnologias de ponta podem ser aplicadas em saúde pública e suplementar quando existe alinhamento entre governança e dados", disse.
Na sequência, Sabrina Dalbosco Gadenz, do Hospital Sírio-Libanês, apresentou a palestra "Governança e Benefícios Práticos no Compartilhamento de Dados em Saúde", abordando conceitos associados à maturidade digital, adoção de sumários clínicos padronizados e avanços necessários para que sistemas atualmente fragmentados consigam operar de forma integrada.
Integração entre setores e a visão da saúde suplementar
O debate "Perspectivas dos Setores Público e Privado para a Integração de Dados" foi mediado por Pedro Vieira, Diretor Médico de Cuidado Público no Einstein Hospital Israelita e co-líder do Comitê de Interoperabilidade da Abramed.
O debate "Perspectivas dos Setores Público e Privado para a Integração de Dados" foi mediado por Pedro Vieira, Diretor Médico de Cuidado Público no Einstein e co-líder do Comitê de Interoperabilidade da Abramed. Foram apresentados dados que evidenciam desperdícios operacionais, clínicos e de recursos humanos decorrentes da fragmentação atual, reforçando a necessidade de uma estrutura integrada para coordenação do cuidado e resposta eficiente.
Vieira enfatizou que a interoperabilidade vai muito além da infraestrutura tecnológica. "Também significa falar sobre conexão, modelo de negócio e sustentabilidade", afirmou. Segundo ele, o tema está "no cerne da saúde digital no país" e a parceria com o ITpS deve gerar "muitos frutos, sempre com foco no paciente e na sua jornada digital".
Compromisso com agenda conjunta e próximos passos
O diretor de operações do ITpS, Vanderson Sampaio, reforçou que o comitê gerou diversas iniciativas que irão compor a agenda conjunta com a Abramed e parceiros, incluindo o Ministério da Saúde. Entre os encaminhamentos discutidos estão o mapeamento dos sistemas utilizados pelos participantes, o diálogo com entidades técnicas para alinhamentos estratégicos, a elaboração de materiais que reforcem o valor da padronização e a produção de um documento conjunto sobre os benefícios da interoperabilidade.
Outros temas incluíram a avaliação de avanços normativos — inclusive via portaria —, a priorização das primeiras camadas da arquitetura necessária à integração nacional e a possibilidade de construir uma agenda comum com órgãos públicos, reforçando a interoperabilidade como política de Estado.
Interoperabilidade para o futuro do cuidado
Houve consenso de que interoperabilidade é um pilar para transformar o sistema de saúde, permitindo coordenação do cuidado, previsibilidade, eficiência operacional e segurança jurídica. A articulação entre ITpS, Abramed e os parceiros presentes foi apontada como parte do caminho para acelerar esse processo.
O comitê reforçou ainda que a interoperabilidade precisa ser tratada com continuidade, governança clara e cooperação federativa — uma agenda que o ITpS tem desenvolvido junto a municípios, ao Ministério da Saúde e a organizações da área da saúde.