O Instituto Todos pela Saúde (ITpS) participou do 1º Simpósio OHDSI América Latina, realizado nos dias 30 e 31 de julho, no Senai Cimatec, em Salvador (BA). O encontro reuniu pesquisadores, gestores públicos e especialistas de diferentes países para debater o uso integrado de dados de saúde na pesquisa e na geração de evidências.
A programação combinou discussões políticas e institucionais, oficinas técnicas e apresentações de experiências desenvolvidas na região. Entre os temas abordados estiveram interoperabilidade, padrões internacionais de dados, pesquisas realizadas a partir de registros administrativos, colaboração científica e aplicações do Modelo Comum de Dados Observacionais, conhecido como OMOP.
O pesquisador científico do ITpS Juan Carlo Santos participou como panelista da sessão "Interoperabilidade e padrões de dados para a pesquisa em saúde". A mesa discutiu a situação da integração de dados para fins de pesquisa na América Latina, seus desafios e o potencial de aplicação desses recursos na produção de conhecimento baseado em evidências do mundo real.
Com moderação de Rafael Pinedo Villanueva, da Universidade de Oxford, o painel também contou com representantes da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, do Ministério da Saúde Pública e Assistência Social da Guatemala, do Hospital Italiano de Buenos Aires e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).
Durante a discussão, Juan Carlo apresentou a perspectiva do ITpS sobre os desafios técnicos e institucionais envolvidos na interoperabilidade de dados para pesquisa, como é o caso do projeto Iops – Interoperabilidade e Organização de Padrões em Saúde, voltado, justamente, à organização e à integração de dados por meio de terminologias padronizadas.
Segundo o pesquisador, embora já existam padrões internacionais e infraestruturas capazes de apoiar a integração de diferentes bases, ainda é necessário avançar na definição de processos claros de acesso às informações, incluindo critérios, responsabilidades e prazos.
"A definição desses processos é importante para que o acesso aos dados não dependa de negociações individuais e possa ocorrer de maneira escalável, segura e auditável", disse. A participação também permitiu compartilhar a experiência do ITpS com a curadoria de terminologias e a padronização de informações aplicadas à realidade brasileira.
No segundo dia, a programação foi dedicada a oficinas e casos de uso do OMOP na América Latina, com debates sobre qualidade de dados em vigilância, criação de coortes, transformação de bases e oportunidades de estudos colaborativos entre instituições da região.