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Comunicação
ITpS promove simpósio Detecção Precoce de Surtos de Síndrome Febril na 18ª Reunião Nacional de Pesquisa em Malária
Notícias do ITpS

ITpS promove simpósio Detecção Precoce de Surtos de Síndrome Febril na 18ª Reunião Nacional de Pesquisa em Malária

26.04.2026

O Instituto Todos pela Saúde (ITpS) promoveu o simpósio Detecção Precoce de Surtos de Síndrome Febril na 18ª Reunião Nacional de Pesquisa em Malária, realizada de 25 a 28 de abril, em Campos do Jordão (SP). O evento foi moderado pelo diretor de Operações do ITpS, Vanderson Sampaio, e contou com apresentações dos pesquisadores José Deney e Marcelo Bragatte.


Segundo Sampaio, há mais de cem anos o sanitarista Oswaldo Cruz já propunha estratégias de diagnóstico e tratamento para a malária na Amazônia e um século depois pouca coisa mudou. "A inovação é urgente especialmente para as populações historicamente desassistidas. É importante que os gestores de políticas públicas estejam atentos às novas tecnologias", destacou o diretor, ressaltando que o custo-efetividade dessas ferramentas é cada vez mais viável. O desafio ainda é a detecção oportuna, que sofre pelas longas distâncias na região amazônica e pela baixa sensibilidade nas demais regiões.


Vanderson Sampaio / Foto: Camila Gomes | ITpS


No dia 26, em sua apresentação, Deney ilustrou o problema citando sua terra natal, Jutaí (AM), localizada a três dias de barco de Manaus. Ele mostrou como o isolamento geográfico faz com que os sistemas tradicionais de notificação demorem de 28 a até 60 dias para consolidar as informações. Quando os dados chegam aos gestores de saúde, a janela de 14 dias para conter um surto já se fechou.


Para solucionar esse gargalo, Deney apresentou a plataforma Sinapse, uma infraestrutura em desenvolvimento no ITpS que integra dados humanos, animais, climáticos, ambientais e transversais, oriundos das mais variadas fontes, e os consolida em uma plataforma, deixando-os prontos para análises. "Na vigilância, o que move é a pergunta, e nós estamos integrando dados para que essas perguntas sejam respondidas", afirmou o pesquisador.


Deney Araújo palestra / Foto: Camila Gomes | ITpS


Deney apresentou, então, outro projeto em fase final de testes no ITpS, o Detecta Alerta, descrito por ele como mais uma camada para a vigilância, uma forma de monitoramento em tempo real. 


O sistema Detecta Alerta capta o aumento repentino da demanda em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs), gerando dados que possam indicar busca por atendimento acima do normal. Isso permite ao gestor atuar em tempo oportuno de investigação e observar, por exemplo, síndromes febris muito antes do diagnóstico laboratorial oficial.


Quando o exame dá negativo


Na sequência, o pesquisador Marcelo Bragatte falou sobre como os resultados negativos de exames, comumente descartados pelos laboratórios, podem ser sentinelas para a identificação de novos surtos. Bragatte resumiu a ideia de forma bem-humorada: "Quando o município está com febre, queremos ser capazes de identificá-la".


A ideia é que a combinação entre o aumento de atendimento em postos de saúde e a alta de testes negativos pode revelar que um novo patógeno está adoecendo determinada população. A partir dessa informação, o gestor público pode tomar as ações que julgar necessárias, sempre com o intuito de proteger a população.


Marcelo Bragatte / Foto: Camila Gomes | ITpS


O pesquisador apresentou, então, o Detecta Síndromes, sistema que traz uma nova camada de alertas ao extrair dados dos prontuários eletrônicos e transformá-los em informações, apresentadas por meio de painéis simples e intuitivos, que podem colaborar com os gestores na tomada de decisões.


Bragatte cita que, se o modelo estivesse em operação nos últimos anos, o Brasil teria detectado com antecedência de três a quatro semanas em relação à notificação oficial a primeira onda de covid-19, os surtos recentes de dengue e de febre do Oropouche.


Além de Sampaio, Deney e Bragatte, também acompanharam a reunião de malária o coordenador científico do ITpS, Anderson Britto, os pesquisadores Bárbara Chaves e Filipe Romero; da Comunicação, estiveram presentes a gerente Bia Reis e a analista Camila Gomes.


Equipe do ITpS presente no evento / Foto: Camila Gomes | ITpS


O Instituto Todos pela Saúde foi uma das organizações patrocinadoras da 18ª Reunião Nacional de Pesquisa em Malária, ao lado de instituições como Gates Foundation e Medicines for Malaria Ventures, entre outras. O evento teve apoio do governo federal, Ministério da Saúde, Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Instituto Todos pela Saúde (ITpS) Av. Paulista, 1.938 – 16º andar
São Paulo - SP – 01310-942

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