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Comunicação
Mais da metade dos casos de febre Oropouche na América Latina ocorreram no Brasil, aponta estudo
Artigos em revista científica

Mais da metade dos casos de febre Oropouche na América Latina ocorreram no Brasil, aponta estudo

24.03.2026

O estudo "Transmission dynamics of Oropouche virus in Latin America and the Caribbean" foi conduzido por uma colaboração internacional de pesquisadores, incluindo instituições do Brasil, Europa e Estados Unidos, com participação do Instituto Todos pela Saúde (ITpS). Os resultados foram publicados na revista Nature Medicine, uma das principais publicações científicas internacionais na área de saúde.


Métodos


Os pesquisadores combinaram diferentes abordagens para analisar a transmissão do vírus da febre Oropouche - transmitido pelo mosquito-pólvora (maruim) - incluindo dados sorológicos (presença de anticorpos na população), análises laboratoriais e modelagem epidemiológica. Foram avaliadas amostras coletadas antes e depois do surto recente em Manaus para medir a proporção de pessoas com anticorpos contra o vírus, além de análises da capacidade desses anticorpos de neutralizar diferentes variantes. Também foi realizada uma reconstrução histórica da circulação do vírus, integrando dados epidemiológicos e modelos matemáticos para estimar o número de infecções ao longo das últimas décadas na América Latina e no Caribe. 


Achados principais


O estudo mostrou que o vírus da febre Oropouche voltou a circular de forma intensa em Manaus entre 2023 e 2024, com um aumento expressivo na proporção de pessoas com anticorpos - de cerca de 11% para 25% em um ano, indicando ampla disseminação recente. A análise histórica revelou que o vírus não desaparece completamente entre surtos, mas mantém uma circulação contínua em níveis baixos, com grandes epidemias ocorrendo de tempos em tempos, como nos anos 1980 e novamente no período recente. Ao estimar a dimensão da transmissão ao longo das últimas décadas, os pesquisadores calcularam que ocorreram cerca de 9,4 milhões de infecções por Oropouche na América Latina e no Caribe entre 1960 e 2025, sendo aproximadamente 5,5 milhões apenas no Brasil. Esses números indicam que, embora muitas vezes pouco notificado, o vírus tem uma circulação ampla e recorrente na região, com potencial de causar grandes surtos ao longo do tempo.


Interpretação


Os resultados mostram que o vírus pode estar muito mais disseminado do que se pensava, com transmissão contínua e surtos periódicos de grande magnitude. Isso indica que a doença não é apenas episódica, mas pode se manter de forma silenciosa entre as epidemias. O estudo reforça a necessidade de fortalecer a vigilância epidemiológica e laboratorial, já que o vírus pode passar despercebido, especialmente por ter sintomas semelhantes aos de outras arboviroses, como dengue e chikungunya. Além disso, compreender esses padrões de transmissão é fundamental para antecipar novos surtos e orientar ações de saúde pública na América Latina e no Caribe.


Para acessar o artigo, clique aqui.

Instituto Todos pela Saúde (ITpS) Av. Paulista, 1.938 – 16º andar
São Paulo - SP – 01310-942

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