O estudo foi realizado por pesquisadores de diversas instituições, incluindo o Instituto Todos pela Saúde, a Yale School of Public Health (EUA) e outras organizações acadêmicas e de saúde pública nos Estados Unidos e Europa. Os resultados foram publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS).
Métodos
Os pesquisadores expandiram o conjunto de sequências genéticas disponíveis do vírus Powassan por meio do sequenciamento de 279 amostras coletadas de carrapatos Ixodes scapularis no nordeste dos Estados Unidos. A partir desses dados genômicos, eles realizaram análises filogeográficas e filogenéticas que permitiram reconstruir a história evolutiva e as rotas de dispersão espacial do vírus ao longo do tempo. Essas técnicas combinam informações sobre as relações evolutivas entre sequências virais com dados geográficos e temporais para estimar padrões de movimento do vírus na paisagem.
Achados principais
A análise indicou que a linhagem II do vírus Powassan provavelmente foi introduzida ou surgiu de uma população remanescente no nordeste dos Estados Unidos entre 1940 e 1975. As sequências genéticas coletadas foram fortemente agrupadas por localização geográfica, sugerindo uma distribuição focada regionalmente em vez de dispersão ampla e aleatória. Ao longo do tempo, observou-se um aumento geral no tamanho efetivo da população viral, embora esse crescimento tenha estagnado nos anos mais recentes. A reconstrução filogeográfica também mostrou um padrão de dispersão do vírus seguindo principalmente uma direção sul-norte dentro da região estudada, o que reflete como o vírus tem se movido de forma incremental por meio da expansão e circulação de seus hospedeiros e vetores naturais.
Interpretação
Esses resultados ajudam a entender melhor a dinâmica de emergência e dispersão do vírus Powassan, um patógeno transmitido por carrapatos que tem causado casos esporádicos de doença neurológica grave em humanos. Ao identificar um padrão histórico e geográfico da propagação viral, a pesquisa oferece uma base para o fortalecimento da vigilância entomológica e genômica — essencial para antecipar áreas de maior risco e informar medidas de prevenção, incluindo educação pública e monitoramento de vetores. Essa abordagem também demonstra como métodos filogeográficos podem esclarecer padrões de circulação de vírus emergentes transmitidos por artrópodes, com implicações para a saúde pública em cenários de mudança ambiental e ecológica.