Este site usa cookies e dados pessoais de acordo com o nosso Termo de Uso e Aviso de Privacidade e, ao continuar navegando neste site, você declara estar ciente dessas condições.
OK
X
Para aumentar ou diminuir a fonte, utilize os atalhos Ctrl+ (aumentar) e Ctrl- (diminuir) no seu teclado.
FECHAR
cores originais
mais contraste
A+
Comunicação
No Medtrop 2026, ITpS discute como dados genômicos de arbovírus podem apoiar decisões em saúde pública
Notícias do ITpS

No Medtrop 2026, ITpS discute como dados genômicos de arbovírus podem apoiar decisões em saúde pública

19.08.2026

Dados genômicos podem ajudar a identificar a introdução de novas linhagens de vírus, reconstruir rotas de disseminação e compreender como um patógeno circula entre diferentes regiões. Mas, para que essas informações apoiem decisões de saúde pública, é preciso definir quais perguntas a vigilância pretende responder e integrar os resultados do sequenciamento a dados epidemiológicos e clínicos.


O tema esteve no centro da mesa-redonda "Vigilância genômica de arbovírus", realizada em 18 de agosto durante o 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (Medtrop 2026). A sessão foi coordenada por Anderson Brito, coordenador científico do Instituto Todos pela Saúde (ITpS), e contou com Nathan Grubaugh, professor de epidemiologia da Yale University, e Karen Machado Gomes, coordenadora-geral dos Laboratórios de Saúde Pública (CGLab) do Ministério da Saúde.


Foto: Camila Gomes / ITpS


Em sua apresentação, Anderson mostrou diferentes situações em que o sequenciamento genômico pode contribuir para a saúde pública. Uma revisão sistemática encomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), da qual ele participa, analisa estudos sobre dengue, chikungunya, Zika, febre amarela e Oropouche para identificar aplicações práticas desses dados. Os resultados deverão apoiar a elaboração de uma diretriz global da OMS para a vigilância genômica de arbovírus prioritários.


Entre os usos identificados estão a detecção de novos sorotipos, genótipos e linhagens; a identificação de eventos de introdução e de rotas de disseminação; a investigação de ciclos de transmissão; e o apoio a decisões relacionadas a vacinação, controle de vetores e emissão de alertas. A análise também considera a integração da genômica à vigilância epidemiológica de rotina.


Casos ocorridos no Brasil ajudam a mostrar essas aplicações. No surto de Oropouche de 2022 a 2024, por exemplo, o sequenciamento de amostras clínicas permitiu identificar uma nova linhagem recombinante associada à epidemia e indicou que ela já circulava de forma silenciosa havia anos. Estudos genômicos também ajudaram a estimar quando o vírus Zika chegou às Américas e a acompanhar a disseminação do vírus da febre amarela durante a epidemia de 2016 e 2017.


Foto: Camila Gomes / ITpS


Para Anderson, uma das questões centrais é orientar a vigilância genômica a partir de casos de uso e perguntas previamente estabelecidas. Dados sobre sinais e sintomas, desfechos clínicos e vacinação, por exemplo, podem ser indispensáveis para determinadas análises, o que reforça a importância da integração entre sistemas. O compartilhamento ágil de sequências genômicas também é necessário para apoiar respostas oportunas a ameaças à saúde pública.


Uma linguagem comum para acompanhar o vírus da dengue


Nathan Grubaugh apresentou uma proposta para aprimorar a classificação das linhagens do vírus da dengue e facilitar sua integração aos sistemas globais de vigilância genômica. A iniciativa busca estabelecer uma linguagem comum para acompanhar a diversidade genética do vírus e apoiar a identificação de linhagens de interesse para a saúde pública.


Foto: Camila Gomes / ITpS


Entre os exemplos apresentados esteve a linhagem DENV-3III_B.3.2, identificada em mais de 20 países até 2024. No Brasil, análises indicam pelo menos 13 introduções independentes desde 2022, a maioria associada ao Caribe.


A terceira apresentação da mesa, conduzida por Karen Machado Gomes, abordou a estruturação da rede nacional de laboratórios para a vigilância genômica de arbovírus no Sistema Único de Saúde (SUS).

Instituto Todos pela Saúde (ITpS) Av. Paulista, 1.938 – 16º andar
São Paulo - SP – 01310-942

Termo de Uso e Aviso de Privacidade