O estudo foi desenvolvido por uma equipe internacional de pesquisadores de mais de 20 instituições, incluindo o Instituto Todos pela Saúde, a Yale School of Public Health e parceiros de universidades e centros de pesquisa na África, Europa, Ásia e Américas. Os resultados foram publicados na revista PLOS Biology.
Métodos
Os pesquisadores analisaram uma vasta coleção de sequências genômicas de vírus da dengue (DENV), que inclui milhões de dados genéticos coletados ao redor do mundo. Eles identificaram limitações no sistema de classificação existente, que se baseia em sorotipos e genótipos tradicionais, e então propuseram uma nova estrutura hierárquica que adiciona dois níveis sub-genotípicos — denominados linhagens maiores e menores. Essa estrutura foi desenvolvida para ser estável entre diferentes estudos e aplicável mesmo quando apenas parte do genoma está disponível. Os autores também criaram ferramentas que permitem que laboratórios e equipes de vigilância identifiquem e atribuam essas novas linhagens às suas próprias sequências virais, promovendo uma linguagem padronizada globalmente.
Achados principais
O novo sistema de nomenclatura proposto melhora significativamente a capacidade de distinguir variações do vírus da dengue dentro dos quatro sorotipos atualmente reconhecidos. Ao adicionar níveis de linhagens maiores e menores, o método oferece resolução mais detalhada para acompanhar a evolução do vírus ao longo do tempo e em diferentes regiões, algo que os sistemas anteriores não conseguiam fazer com precisão. Essa granularidade permite que pesquisadores comparem diretamente os vírus circulantes em diferentes países, estados ou até dentro de regiões menores, facilitando a detecção de padrões de transmissão e possíveis emergências de variantes com relevância epidemiológica ou clínica. Além disso, as ferramentas associadas ao sistema mostram que ele é útil tanto em grandes conjuntos de dados quanto quando usado apenas com partes do genoma, tornando-o versátil para diferentes contextos de vigilância.
Interpretação
A adoção de uma nomenclatura genética padronizada para linhagens do vírus da dengue pode transformar a forma como essa doença é monitorada globalmente. Com uma linguagem comum e mais detalhada, pesquisadores e autoridades de saúde pública poderão rastrear melhor a origem e a disseminação de variantes, identificar padrões emergentes e responder de forma mais rápida e precisa a surtos. Esse sistema também pode facilitar a comunicação entre laboratórios e instituições, além de apoiar estudos sobre como diferentes linhagens estão associadas à transmissão, gravidade clínica ou possíveis impactos na eficácia de vacinas. Em suma, a nova classificação representa um avanço importante na vigilância genômica do vírus da dengue e na compreensão de sua diversidade evolutiva.