A obesidade aumenta em até 4,4 vezes o risco de morte em adultos jovens, de 20 a 39 anos, hospitalizados com a forma grave de covid-19. Já em pacientes de 40 a 59 anos e idosos, a influência da doença é menor: ela aumenta o risco de morte em até 2,7 vezes e em até 1,6 vez, respectivamente. A descoberta, feita por pesquisadores brasileiros e publicada na revista científica The Lancet Regional Health, pode influenciar futuras políticas públicas de vacinação.
Quando analisados pacientes obesos com diabetes e doenças cardiovasculares associadas, novamente o risco de morte aumenta de forma mais expressiva entre os adultos jovens (até 7,4 vezes na comparação com pessoas saudáveis da mesma faixa etária). A alta é de até 5 vezes em adultos de 40 a 59 anos e de até 1,9 vez em idosos.
São autores do estudo os pesquisadores Michelle Giscacciati, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (USP) e da Faculdade de Ciências Biomédicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Sirlei Siani, da Faculdade de Ciências Biomédicas da Unicamp; Ana Campa, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP; e Helder Nakaya, pesquisador do Hospital Israelita Albert Einstein e do Instituto Todos pela Saúde (ITpS). O trabalho foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
"O estudo aponta uma importante associação entre obesidade e idade no agravamento e no óbito da covid-19. Isso deve ser levado em conta pelo poder público no momento de definição dos grupos prioritários nas futuras campanhas de vacinação contra o SARS-CoV-2", diz o pesquisador Helder Nakaya, do Einstein e do ITpS. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) divulgados em outubro de 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 60,3% dos brasileiros adultos - 96 milhões de pessoas - apresentam IMC acima de 25 kg/m2 e têm, por tanto, excesso de peso.
O estudo
O estudo foi feito por meio de análise retrospectiva de dados públicos extraídos do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Influenza (Sivep-Gripe), do Ministério da Saúde.
Das 1,1 milhão de pessoas cadastradas no sistema com covid-19 no período anterior ao início da vacinação (16 de fevereiro de 2020 a 17 de janeiro de 2021), foram selecionados 313,8 mil pacientes hospitalizados, com idades entre 20 e 89 anos, com IMC igual ou maior que 25 kg/m2, doenças cardiovasculares e diabetes. Pessoas sem doença crônica ou obesidade que também foram internadas fizeram parte do grupo controle.
Os pacientes foram divididos em dois grupos: 164 mil sem fatores de risco (IMC menor que 24,9 kg/m2 e sem comorbidades) e 149 mil pacientes com obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes ou qualquer combinação desses fatores. Pacientes com outras comorbidades, gestantes e puérperas foram excluídos da amostra.
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A atuação do ITpS
O Instituto Todos pela Saúde (ITpS) é uma entidade sem fins lucrativos criada em fevereiro de 2021 com o objetivo de ajudar o Brasil a articular redes e desenvolver competências que ajudem no preparo para o enfrentamento das futuras emergências sanitárias, como surtos, epidemias e pandemias. O ITpS iniciou os trabalhos com um aporte de R$ 200 milhões feito com recursos da iniciativa Todos pela Saúde, criada em 2020 e que teve o Itaú Unibanco como principal doador. São parceiros institucionais a Academia Brasileira de Ciências (ABC), Academia Nacional de Medicina (ANM), a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein e a Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês.
O ITpS atua em três frentes:
À frente do ITpS
Renomados pesquisadores, professores e gestores integram o conselho administrativo, o comitê científico e a direção do ITpS, que tem o imunologista Jorge Kalil como diretor-presidente. Professor titular de Imunologia Clínica e Alergia da Faculdade de Medicina da USP, Kalil é diretor do serviço de Imunologia Clínica e Alergia do Hospital das Clínicas de São Paulo e do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor). É membro do Conselho de Gestão de Dados e Segurança, grupo criado pelo governo dos Estados Unidos para supervisionar os testes de vacinas anti-covid-19 no país. Foi presidente do Instituto do Coração (2006-2008) e diretor do Instituto Butantan (2011-2017).