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Percentual de testes positivos para SARS-CoV-2 passa de 3% para 17% em um mês, forte indício de nova onda
Notícias do ITpS

Percentual de testes positivos para SARS-CoV-2 passa de 3% para 17% em um mês, forte indício de nova onda

03.11.2022

O percentual de testes positivos para SARS-CoV-2 saltou de 3% para 17% ao longo do mês de outubro, um forte indício de uma nova onda de casos de covid-19. Apenas as faixas etárias abaixo de 19 anos têm positividade até 8% — nas demais, a taxa é acima de 19%. As análises são do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) com base em 595.534 testes feitos pelos laboratórios Dasa, DB Molecular e HLAGyn entre 5 de dezembro de 2021 e 29 de outubro de 2022.



“É importante observar que o aumento de casos não levará necessariamente a um crescimento de hospitalizações, uma vez que boa parte da população está vacinada. Não é esperado que tenhamos o impacto das ondas anteriores. Mas recomendamos o uso de máscaras em locais com aglomeração”, afirma o pesquisador científico Marcelo Bragatte, do ITpS.



Na última semana epidemiológica, de 22 a 29 de outubro, três estados apresentaram alta expressiva de casos. Em Mato Grosso, o percentual passou de 3% para 18% (seis vezes); em São Paulo, de 10% para 19% (quase duas vezes); e no Rio de Janeiro, de 15% para 26%. Nos demais estados observados pelo ITpS, a baixa procura por testes impede a análise.


Os testes RT-PCR Thermo Fisher, utilizados pelos laboratórios parceiros, apontaram as variantes Ômicron BA.4 e BA.5 em 93,5% das amostras positivas na última semana — no início de outubro o percentual era de 97,9%. Casos prováveis de outras variantes, incluindo a Ômicron BA.2, representaram 6,5%.



Variantes com o perfil SGTF (S gene target failure), como BA.4 e BA.5, dominam o cenário das infecções desde o início de junho. Elas substituíram a BA.2, que foi a última e principal variante com perfil SGTP (S gene target positive) que circulou no país neste ano. Sublinhagens dessa variante, como a BA.2.75, ainda se espalham pelo mundo, causando surtos localizados.


Na última semana, casos prováveis de BA.4 e BA.5 foram identificados em 301 municípios (pontos pretos no mapa) de 21 estados. Os dados provêm principalmente do Sudeste, por isso há mais casos na região. 


O Instituto Todos pela Saúde está monitorando a chegada e a disseminação da Ômicron no Brasil desde dezembro — este é o 22º relatório —, em parceria com os laboratórios privados. O objetivo é fornecer para o poder público, a imprensa e a sociedade informações com agilidade para ajudar na tomada de decisões de saúde. Paralelamente, o ITpS também realiza o monitoramento da circulação de vírus respiratórios no país. Os dois relatórios são divulgados  alternadamente.


Na seção Pesquisas do site do Instituto Todos pela Saúde, o itps.org.br, estão todos os relatórios já divulgados.


A atuação do ITpS


O Instituto Todos pela Saúde (ITpS) é uma entidade sem fins lucrativos criada em fevereiro de 2021 com o objetivo de ajudar o Brasil a articular redes e desenvolver competências que ajudem no preparo para o enfrentamento das futuras emergências sanitárias, como surtos, epidemias e pandemias. O ITpS iniciou os trabalhos com um aporte de R$ 200 milhões feito com recursos da iniciativa Todos pela Saúde, criada em 2020 e que teve o Itaú Unibanco como principal doador.


São parceiros institucionais a Academia Brasileira de Ciências (ABC), Academia Nacional de Medicina (ANM), a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP),  a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein e a Sociedade Beneficente de Senhoras Hospital Sírio-Libanês.


O ITpS atua em três frentes: 



  • Fortalecimento de redes de vigilância epidemiológica - Articular redes para a obtenção de informações científicas relevantes à saúde pública e cobrir lacunas relacionadas à baixa capacidade de sequenciamento genômico.

  • Análise de dados - Promover análise e integração de bancos de dados para influenciar políticas públicas baseadas em evidências científicas.

  • Formação e informação - Desenvolver profissionais que atuem com vigilância epidemiológica, genômica e análise de dados ligados a doenças infecciosas. Tornar públicos os dados científicos.


À frente do ITpS


Renomados pesquisadores, professores e gestores integram o conselho administrativo, o comitê científico e a direção do ITpS, que tem o imunologista Jorge Kalil como diretor-presidente.


Professor titular de Imunologia Clínica e Alergia da Faculdade de Medicina da USP, Kalil é diretor do serviço de Imunologia Clínica e Alergia do Hospital das Clínicas de São Paulo e do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (Incor). É membro do Conselho de Gestão de Dados e Segurança, grupo criado pelo governo dos Estados Unidos para supervisionar os testes de vacinas anti-covid-19 no país. Foi presidente do Instituto do Coração (2006-2008) e diretor do Instituto Butantan (2011-2017).

Instituto Todos pela Saúde (ITpS) Av. Paulista, 1.938 – 16º andar
São Paulo - SP – 01310-942