O estudo foi conduzido por uma equipe de pesquisadores brasileiros e internacionais com participação de instituições como o Instituto Todos pela Saúde, a Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, a Universidade do Estado do Amazonas e outras. Os resultados foram publicados na revista Frontiers in Immunology.
Métodos
A pesquisa envolveu 101 pacientes internados com covid-19 grave, divididos em dois grupos: um tratado com altas doses de methylprednisolone (um corticosteroide) e um que recebeu placebo. Amostras de sangue foram coletadas antes do tratamento e depois em vários momentos (por exemplo, dias 7 e 14 após o início da terapia). Os pesquisadores analisaram uma série de biomarcadores de inflamação e de lesão tecidual, incluindo proteínas e citocinas (moléculas que sinalizam respostas imunológicas), usando ensaios laboratoriais específicos para quantificar esses marcadores e avaliar como eles mudavam ao longo do tempo em resposta ao tratamento.
Achados principais
O estudo mostrou que a atividade de marcadores inflamatórios e de lesão no sangue dos pacientes com covid-19 varia ao longo da hospitalização. Em pacientes tratados com methylprednisolone, certos marcadores associados à inflamação e dano tecidual — que incluem citocinas e proteínas como troponina e NT-proBNP — mudaram de forma distinta ao longo do tempo em comparação com o grupo que recebeu placebo. Essas mudanças sugerem que a terapia com corticosteroides pode influenciar a resposta imune e os sinais de lesão corporal em pacientes severos ao longo da evolução da doença.
Interpretação
Os resultados indicam que perfis de biomarcadores de inflamação e de dano em covid-19 grave não são estáticos, mas se modificam ao longo da evolução clínica do paciente e podem responder ao tratamento com corticosteroides. Identificar mudanças nesses marcadores ao longo do tempo pode ajudar profissionais de saúde a acompanhar a evolução da doença, monitorar a resposta ao tratamento e ajustar a terapia quando necessário. Esse tipo de análise também fornece insights sobre os mecanismos imunológicos subjacentes à resposta severa à infecção pelo SARS-CoV-2, contribuindo para uma compreensão mais refinada de como tratamentos como corticosteroides podem modular a inflamação e lesão em covid-19.