O estudo foi conduzido por uma equipe de pesquisadores brasileiros do Instituto Todos pela Saúde, da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade de Campinas (Unicamp) e do Hospital Israelita Albert Einstein. Os resultados foram publicados na revista The Lancet Regional Health – Americas.
Métodos
Os pesquisadores analisaram dados retrospectivos de 313.898 pacientes hospitalizados por covid-19 entre 20 e 89 anos que tinham IMC ≥ 25 kg/m² e/ou outras comorbidades (como diabetes e doenças cardiovasculares), extraídos de um sistema nacional de vigilância epidemiológica no Brasil. Compararam esses perfis com indivíduos sem fatores de risco conhecidos, estratificando por idade, obesidade, presença de comorbidades e resultados clínicos relacionados ao uso de suporte ventilatório, internação em UTI e óbito.
Achados principais
A análise revelou que, apesar de o risco de morte por covid-19 aumentar com a idade, a obesidade isolada foi um fator de risco mais forte para mortalidade hospitalar do que diabetes ou doença cardiovascular em adultos jovens. Em particular, jovens adultos obesos apresentaram maior probabilidade de precisar de suporte respiratório invasivo ou internamento em UTI e também tiveram taxas mais altas de mortalidade, comparados com seus pares não obesos ou com outras comorbidades. Esses achados sugerem que a obesidade por si só, especialmente em indivíduos mais jovens, está associada a maior gravidade e pior prognóstico da covid-19.
Interpretação
Os resultados sugerem que a obesidade está associada a uma resposta imune mais fraca e mais lenta às vacinas CoronaVac e ChAdOx1-S, com imunogenicidade reduzida e potencial para maior risco de covid-19 ao longo do tempo em pessoas com altos níveis de gordura corporal. Entretanto, essa diferença não se traduziu em maior incidência de casos graves ou mortes no período estudado, possivelmente devido a outros mecanismos de proteção ou ao impacto do reforço vacinal. Além disso, o estudo destaca a importância de medir a composição corporal de forma mais precisa (bioimpedância) em vez de confiar apenas no IMC para avaliar respostas vacinais em obesos.