O estudo "Dispersal patterns and influence of air travel during the global expansion of SARS-CoV-2 variants of concern" foi conduzido por uma ampla colaboração internacional de pesquisadores do Instituto Todos pela Saúde, Institute for Infectious Disease and Molecular Medicine (CIDRI-Africa), Universidade Federal de Minas Gerais, entre outras instituições parceiras. Os resultados foram publicados na revista científica Cell.
Métodos
Os pesquisadores utilizaram análises filogenéticas e filogeográficas para reconstruir o padrão de dispersão global das variantes de preocupação (Variants of Concern — VOCs) do SARS-CoV-2, incluindo as variantes Alpha, Beta, Gamma, Delta, Omicron BA.1 e Omicron BA.2. As análises combinaram dados genéticos de sequências virais com informações de mobilidade humana (como volume de viagens aéreas) para estimar de onde e para onde cada variante se espalhou ao longo do tempo. O foco foi entender o papel da conectividade aérea global e a transmissibilidade de cada variante na sua distribuição mundial.
Achados principais
O estudo documentou que, ao longo da pandemia, as principais variantes de SARS-CoV-2 que impulsionaram ondas de infecção global — Alpha, Beta, Gamma, Delta e Omicron — se espalharam rapidamente por meio de mobilidade internacional, especialmente viagens aéreas, alcançando mais de 80 países em menos de 100 dias desde sua primeira detecção. A análise mostrou que o papel de países presumidos como origem das variantes diminuiu ao longo do tempo, com a disseminação sendo impulsionada por uma combinação de transmissibilidade elevada das próprias variantes e pela conectividade aérea global. Por exemplo, embora países como Índia e África do Sul tenham contribuído com exportações virais substanciais para Delta e Omicron, respectivamente, a disseminação final envolveu muitos outros países que atuaram como pontos de disseminação intermediários.
Interpretação
Os resultados sugerem que a mobilidade humana — em especial as viagens aéreas — foi um fator chave para a disseminação global das variantes de SARS-CoV-2, além das próprias características de transmissibilidade viral. O estudo destaca como vírus altamente transmissíveis podem se espalhar com rapidez em um mundo conectado e reforça a importância de vigilância genômica e de coordenação internacional em saúde pública para monitorar variantes emergentes. Compreender os padrões de dispersão também pode orientar políticas de resposta e mitigação durante futuras ondas ou novas pandemias, sobretudo em relação ao monitoramento de fronteiras e à distribuição de recursos de saúde.