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Estadão: Brasil sequencia menos vírus que Chile e África do Sul e fica às escuras sobre variante
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Estadão: Brasil sequencia menos vírus que Chile e África do Sul e fica às escuras sobre variante

03.12.2021

Ítalo Lo Re


Um ano e nove meses após o início da pandemia, o Brasil ainda monitora pouco as variantes do coronavírus que circulam pelo País. Dos 22 milhões de casos de covid-19 confirmados por aqui, só 0,35% foram sequenciados em laboratório. O índice é inferior até ao de países com nível socioeconômico mais próximo, como Chile (0,91%) e África do Sul (0,82%). Esse tipo de exame permite identificar as mutações presentes na amostra e indicar o avanço de novas cepas. Com a chegada da Ômicron ao território nacional, o rastreio ajuda a entender por onde chega a variante, a velocidade de espalhamento e também associá-lo à gravidade de infecções em determinados locais.


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O virologista e pesquisador científico do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) Anderson Brito relata que um dos principais problemas enfrentados no País no começo da pandemia era a disparidade entre as regiões na realização de sequenciamentos genéticos. “Havia Estados com cobertura bastante grande, e outros com praticamente nada”, relembra. 


Brito explica que a presença de instituições como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em locais como o Rio deu condições para a realização de sequenciamentos em larga escala desde o início de 2020, enquanto Estados como Maranhão, Piauí e Tocantins apresentaram “um grande vazio na vigilância genômica”. “Se uma nova variante surgisse nessas regiões, ela poderia ter circulado por algumas semanas sem que a gente soubesse”, diz o virologista.


A melhora na vigilância, segundo Brito, só aconteceu quando houve aumento na proporção de casos sequenciados e na cobertura territorial, o que foi possibilitado pela cooperação entre Estados com diferentes condições.


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