Pesquisas APOIADAS
Prevalência de covid-19 entre doadores de sangue

Prevalência de covid-19 entre doadores de sangue

Fundação Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)

Quando o SARS-CoV-2 chegou ao Brasil, um crescimento exponencial de casos e de mortes já era esperado. Bastava olhar para os países que estavam um passo à frente nos rumos da pandemia. E conseguir aferir as taxas de frequência, como morbidade, mortalidade, letalidade, porcentagem de infectados e soroprevalência na população saudável, era essencial para estabelecer políticas públicas de ação e de vigilância.


A estratégia do grupo liderado pela professora Ester Sabino, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), foi utilizar os hemocentros para avaliar a soroprevalência do novo coronavírus em doadores de sangue. O método apresenta vantagens porque as amostras são colhidas rotineiramente e os bancos de sangue têm máquinas para realizar testes em larga escala. Os custos são mais baixos, por não exigir a circulação de equipe para a retirada do sangue, o que também diminui o risco de contaminação.


Participaram do estudo Prevalência de covid-19 entre doadores de sangue, que contou com apoio da iniciativa Todos pela Saúde, pessoas que tiveram o sangue coletado na Fundação Pró-Sangue Hemocentro de São Paulo (FPS-HSP), no Hemocentro de Belo Horizonte (Hemominas), no Hemocentro de Pernambuco (Hemope), no Hemocentro de Manaus (Hemoam), no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), na Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba) e no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar). 


Como amostras do sangue coletado são guardadas pelos hemocentros por seis meses, os pesquisadores conseguiram observar não apenas o cenário daquele momento, como também em retrospecto. E também puderam apontar casos de reinfecção, já que parte das pessoas doam sangue de forma frequente. A pesquisa foi iniciada em agosto de 2020 e seguiu até dezembro de 2021, com previsão de um total de 154 mil amostras analisadas, escolhidas de forma aleatória.


Entre os resultados do estudo estão:



  • Cerca de 75% dos moradores de Manaus já haviam sido infectados pelo SARS-CoV-2 antes da epidemia da Gama. Apesar de elevado, o índice não conferiu proteção às pessoas, que enfrentaram uma segunda onda da doença, revelando que a imunidade populacional por infecção natural não era possível.

  • Na segunda onda da pandemia em Manaus, de 13% a 39% dos casos de covid-10 foram reinfecção.

  • A quantidade de pessoas que se infectaram, medida em fevereiro de 2021, variou bastante entre as cidades analisadas: foi de 27% em Curitiba e Belo Horizonte e chegou a 95% em Manaus.

  • A mortalidade da infecção pelo SARS-CoV-2 variou de 0,03% na população de 16 a 24 anos a 1,31% entre pessoas de 55 a 64 anos.


Artigos publicados:


Three-quarters attack rate of SARS-CoV-2 in the Brazilian Amazon during a largely unmitigated epidemic (clique aqui)


Reinfection by the SARS-CoV-2 P.1 variant in blood donors in Manaus, Brazil (clique aqui)


SARS-CoV-2 antibody dynamics in blood donors and covid-19 epidemiology in eight Brazilian state capitals (clique aqui)


Recursos investidos: R$ 1.371.920,00


Instituição: Fundação Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP)

Instituto Todos pela Saúde (ITpS) Av. Paulista, 1.938 – 16º andar
São Paulo - SP – 01310-942