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Monitoramento da Ômicron - relatório 10

DATA DE PUBLICAÇÃO: 14.04.2022

Com dados de 147.898 testes de covid-19 feitos por DB Molecular e Dasa desde 5/12/21, análises do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) mostram que a Ômicron BA.2 (perfil SGTP) segue substituindo a BA.1. Sua prevalência subiu de 40,6% (em 26/3) para 69,3% (em 9/4).



Genomas da sublinhagem BA.1 da Ômicron não têm os códons 69 e 70 do gene S. A falta desse fragmento faz com que testes RT-PCR Thermo Fisher falhem na detecção desse gene (SGTF, S gene target failure), porém outros genes são detectados (ORF1ab e N), garantindo o diagnóstico.


Usando esse tipo de RT-PCR especial, nas últimas semanas vimos aumento da proporção de amostras positivas com gene S detectado (perfil SGTP, em cinza), característico da sublinhagem BA.2 da Ômicron. Igualmente observamos aumento da positividade de testes (detalhes a seguir).



Entre 3/3 e 9/4 observou-se aumento da prevalência da Ômicron BA.2 (de 51.4 para 69.3%, em cinza). Com isso a sublinhagem BA.1 da Ômicron (gene S não detectado, em verde) vem sendo substituída pela BA.2, como já observado em outros países.



Com dados a partir de 1/2/22 o banco de dados GISAID registra 243 casos da sublinhagem BA.2 no Brasil. No mesmo período, com dados de testagem observamos pelo menos 925 casos prováveis da BA.2 (ou outra linhagem com perfil SGTP).


Abaixo vemos estados e municípios com detecção de casos prováveis da Ômicron BA.2 desde 1/2/2022. Com a disseminação da BA.2, nas últimas três semanas a positividade de testes subiu de 4,5% para 6,2% em nível nacional.



Com dados de testes moleculares em geral, avaliamos a positividade de testes para covid-19 em alguns estados e por faixa etária. Os dados abaixo (semanais) mostram o cenário desde o final de dezembro passado. A positividade de testes aumentou na maioria dos estados e grupos avaliados.



Em especial no Sudeste, de onde grande parte dos dados provém, a positividade apresentou aumento mais evidente. Em São Paulo foi de 4,9 a 7% entre 27/3 e 9/4, e aumento em nível similar foi observado em Minas Gerais (de 4,2 a 6%) no mesmo período.



Nas últimas semanas, por faixa etária, os testes de covid-19 apontam aumentos similares aos observados nos estados, em especial entre jovens de 10-19 anos (de 6 a 10.4%). Entre crianças de 0-9 anos a taxa segue abaixo de 3%, mas aumentos são observados entre adultos (20-69 anos).



Os impactos da BA.2 no Reino Unido e África do Sul foram distintos: o primeiro observou aumento do número de casos e hospitalizações enquanto o segundo, não. Aspectos de imunidade populacional e demográficos podem explicar esses padrões. 


Nossos dados apontam que a covid-19 no Brasil é hoje provavelmente causada principalmente pela Ômicron BA.2. Porém, é importante pontuar que outros vírus estão em circulação. VSR, por exemplo, é hoje o maior causador de infecções respiratórias em crianças.


Com a disseminação da BA.2 no Brasil, e provável subida do número de casos, esperamos que a BA.2 não cause os mesmos impactos causados pela BA.1, comportando-se de forma similar à substituição da Gama pela Delta. De toda forma, temos que avaliar o cenário das próximas semanas.


É importante seguir monitorando a disseminação da BA.2, e observar atentamente quais serão seus impactos. Em caso de sinais de reversão do cenário, incluindo aumento de hospitalizações, uma resposta rápida será essencial, com possível revisão das flexibilizações adotadas recentemente.


O ITpS agradece aos laboratórios privados de diagnóstico DB Molecular, Dasa e HLAGyn, que gentilmente disponibilizaram dados de testagem para nos ajudar a ter uma visão mais apurada do cenário atual.

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