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Monitoramento da Ômicron - relatório 19

DATA DE PUBLICAÇÃO: 18.08.2022

Com dados de 296.947 testes feitos por Dasa, DB Molecular e HLAGyn desde 1/3/22, análises do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) mostram platô na frequência de casos prováveis das subvariantes BA.4 e BA.5 de 98,8% para 97,8% em duas semanas. No período, a positividade de testes caiu 18% para 10%.



Genomas das subvariantes BA.4 e BA.5 da Ômicron não têm os códons 69 e 70 do gene S. A falta desse fragmento faz com que testes RT-PCR Thermo Fisher falhem na detecção desse gene (SGTF, S gene target failure), porém outros são detectados (ORF1ab e N), garantindo o diagnóstico.


Genomas da subvariante BA.2 da Ômicron, por outro lado, apresentam os códons 69 e 70 do gene S intactos, o que leva à sua detecção (perfil SGTP, S gene target positive). Dessa forma, podemos avaliar a frequência da BA.2 (SGTP), bem como da BA.4 e BA.5 (SGTF).


Monitorando a proporção de casos com perfil SGTF podemos acompanhar o avanço das subvariantes BA.4 e BA.5 da Ômicron, responsáveis pelo atual aumento do número de casos de covid-19 em muitos países. Nos próximos meses, o RT-PCR especial seguirá sendo útil para diferenciar as subvariantes.


Usando esse tipo de RT-PCR, vemos que os casos prováveis das subvariantes BA.4 e BA.5 (em verde) indicam ter atingido platô com 97,8% de frequência. Outras variantes, incluindo a BA.2, representaram 2,2% dos casos na última semana.



Nos últimos dois meses, observamos o predomínio das subvariantes BA.4 e BA.5, responsáveis pela atual onda de casos de covid-19 no mundo. No Brasil, elas são responsáveis por  praticamente a totalidade dos casos testados (linha verde).



O número de municípios com casos prováveis de BA.4 e BA.5  permaneceu elevado, com 293 (pontos pretos no mapa), em 22 estados, nas duas últimas semanas. Os dados vêm principalmente do Sudeste, por isso vemos mais casos nos estados da região.



Dentro da população amostral disponível, observamos que em breve a Ômicron BA.2 não será mais detectável. As subvariantes BA.4 e BA.5 provavelmente seguirão sendo responsáveis pela quase totalidade dos casos de covid-19 no Brasil nas próximas semanas.


Com dados de testagem, avaliamos também a positividade para covid-19 em alguns estados e por faixa etária. Os dados a seguir (semanais) mostram o cenário desde dezembro de 2021. Nas últimas duas semanas, a positividade de testes apresentou queda de 18% para 10% no Brasil.


A partir de meados de maio, o avanço das subvariantes BA.4 e BA.5 elevou a positividade rapidamente, alcançando patamares superiores a 40%. No fim de junho houve a inversão da tendência, com o início da queda na positividade em alguns estados.



A positividade para covid-19 segue caindo em todas as faixas etárias avaliadas, sinal do declínio gradual da atual onda. Porém, é importante lembrar que os surtos de covid-19 não ocorrem de forma sincronizada no país.


Na população amostral disponível, mesmo com existência de dados represados ou menor número absoluto de testes, observa-se que a redução da positividade é mais lenta nas faixas etárias mais elevadas.



As subvariantes BA.4 e BA.5 seguem principais responsáveis pela transmissão nos últimos meses no Brasil, e o impacto à saúde pública tem se mostrado inferior ao da BA.1, predominante no início do ano.


Ainda vivemos num período de alta transmissão viral. Isso serve de alerta aos mais vulneráveis, como idosos, imunossuprimidos e não vacinados. Períodos mais frios favorecem a transmissão de vírus respiratórios e ter os esquemas vacinais completos é essencial.


Todos que têm direito a doses adicionais dos imunizantes disponíveis ou que ainda não tomaram nenhuma dose devem procurar os postos de vacinação o quanto antes: o reforço vacinal é essencial para enfrentarmos o cenário epidemiológico atual e mitigar os eventuais impactos à saúde.


O ITpS agradece aos laboratórios privados de diagnóstico DB Molecular, Dasa e HLAGyn, que gentilmente disponibilizaram dados de testagem para nos ajudar a ter uma visão mais apurada do cenário atual.

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