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Monitoramento de arboviroses - relatório 1

DATA DE PUBLICAÇÃO: 07.02.2024

O Instituto Todos pela Saúde (ITpS) lança o primeiro relatório de monitoramento de arboviroses, que inclui doenças virais como dengue, zika e chikungunya, transmitidas por mosquitos. As análises são do ITpS com dados de 50.558 testes diagnósticos feitos de 1/1/22 a 20/1/24 pelos laboratórios Hospital Israelita Albert Einstein, Hilab, HLAGyn e Sabin.


A curva de crescimento da positividade para dengue, que passou de 0,7% em novembro de 2023 para 13% na semana retrasada, aponta para a recrudescência da epidemia. A tendência neste momento é de aumento de casos positivos, que deve alcançar o pico até abril/maio.


-------IMG1 LINE TAXAS DENV VS-------




Os dados dos laboratórios parceiros de 2022 e 2023 refletem a típica sazonalidade da dengue, com aumento da positividade entre janeiro (SE 1) e abril (SE 16). A positividade é bem definida e com pico (surtos) recorrente em abril (SE 14 a 17).


Abaixo constam as taxas de positividade apenas com base nos exames de detecção direta do vírus da dengue, ou seja, apenas PCR e antígeno. Leia abaixo mais informações sobre os testes realizados.


-------IMG2 LINE TAXAS DENV HIST-------




As análises do ITpS com os laboratórios parceiros corroboram os boletins epidemiológicos de 2022 e 2023 do Ministério da Saúde. No painel de arbovírus, também do MS, as curvas epidêmicas referentes aos casos confirmados e suspeitos de dengue são bem definidas e apontam aumento dos casos a partir de janeiro e pico (surtos) no mês de abril.


-------IMG3 BAR CASOS GOV EST DENV A-------




Em 2022, nossos parceiros realizaram 22.055 exames de dengue. Desse total, 2.317 (10%) tiveram resultado positivo – ou seja, a positividade média do ano foi de 10%. Já em 2023 foram feitos 25.613 exames, com 3.149 resultados positivos (12% de positividade).


------IMG4 BAR POSNEG DENV-------




Os laboratórios realizam diferentes tipos de métodos diagnósticos: exames de detecção direta como PCR (Reação em Cadeia da Polimerase), que detectam o material genético do vírus; e testes rápidos imunocromatográficos, que buscam a proteína viral NS1 (antígeno).


Outros métodos utilizados incluem os exames sorológicos, que buscam anticorpos das classes IgG e IgM, sendo os anticorpos IgG capazes de apontar exposição prévia e os anticorpos IgM, exposição recente. Esses testes têm apontado em conjunto para o aumento de casos no período.


--------IMG5 BAR TEST_KIT DENV-------




Os dois próximos conjuntos de mapas utilizam números de exames positivos para dengue (PCR, antígeno e IgM). A seguir, os dados mostram a distribuição geográfica ao longo de 2022, com destaque para o primeiro semestre do ano, com maior número de casos. 



Nacionalmente, a distribuição espacial foi semelhante em 2022 e 2023, com concentração de positividade no primeiro semestre, período sazonal da doença. No entanto, é possível observar que o número de testes positivos varia geograficamente entre os anos.



A seguir estão os dados das últimas semanas epidemiológicas, de forma cumulativa, em um recorte desde o fim de outubro de 2023, quando a positividade começou a aumentar.



No mapa acima observamos como os casos de dengue têm se distribuído, cumulativamente, da SE 44 à SE 3. Essa visualização dos dados evidencia a disseminação da dengue ao longo dos últimos meses. Historicamente, é esperado que os casos subam até abril/maio.


Como a testagem é maior na capital de São Paulo, os primeiros casos de dengue foram identificados oportunamente na virada de outubro para novembro. Desde então, os números vêm aumentando. Entre 29/10/23 e 20/1/24 foram confirmados em laboratórios casos em 13 estados e 25 municípios.


Os laboratórios também fizeram testes para Zika vírus, mas, como pode ser observado, o número de testes – tanto os realizados quanto os positivos – é bem diferente do processado para o vírus da dengue. Em 2022, nossos parceiros realizaram 1.797 exames para diagnóstico de Zika, sendo que 30 deram positivos (1,7%). Já em 2023 foram 636 exames realizados, com 9 positivos (1,4%).


--------IMG6 BAR POSNEG ZIKV-------




Em geral, o número total de testes para o Zika foi maior em 2022 do que em 2023. Porém, quando focamos nossa atenção nos testes pela detecção direta – técnica mais específica (PCR) –, o número de testes para Zika em 2023 foi maior do que no ano anterior.


--------IMG7 BAR TEST_KIT ZIKV-------




O Zika vírus pode causar sérios problemas de saúde, como malformações em fetos durante a gravidez, entre elas a microcefalia. Por isso, é importante acompanharmos a circulação do vírus, mesmo que ela ocorra em números inferiores ao da dengue


Em relação à dengue, as infecções ocorrem em todas as faixas etárias, mas não de forma uniforme. Em 2022, a maior concentração de casos durante o período epidêmico ocorreu em pessoas de 20 a 69 anos, de acordo com os dados gerados por nossos parceiros.


-------IMG 11PYR month 2022-------




A distribuição de casos por faixa etária em 2023 foi bastante similar à de 2022, com maior concentração de exames positivos entre adultos. Ao longo de 2022 e 2023, exames positivos de Zika (vermelho) e Chikungunya (verde) também ocorreram, porém em números baixos.


-------IMG12 PYR month 2023-------




Nas últimas oito semanas, os casos de dengue têm aumentado em diferentes faixas etárias, acometendo principalmente as pessoas de 40 a 49 anos e especialmente em janeiro.


-------IMG13 PYR 8 weeks 2023-------




O ITpS ressalta a importância da análise de dados em tempo oportuno que indica aumento significativo da dengue, maiores que 2022 e 2023, com alta probabilidade de surto entre março e abril. Relatórios quinzenais acompanharão essa tendência, fornecendo dados atualizados que possam ajudar no monitoramento da epidemia.


Este relatório reflete uma amostragem não uniforme das unidades federativas, sem ajuste populacional pelo baixo número global de diagnósticos. Os testes rápidos disponíveis para arboviroses podem apresentar falsos positivos devido à reatividade cruzada, reduzindo a precisão dos diagnósticos por patógenos.


A dengue é uma doença vetorial, transmitida por mosquitos das espécies Aedes aegypti e Aedes albopictus, e neste momento, apesar do recente lançamento da campanha de vacinação, a principal forma de controle ainda é o combate ao vetor. Sendo assim, precisamos eliminar os criadouros que podem ser qualquer recipiente que acumule água.


Fique atento dentro e fora da sua casa, verifique locais que podem ser foco desses mosquitos e, se necessário, comunique a vigilância da sua cidade sobre terrenos baldios que podem ter criadouros.


Alerta à população: em caso de sintomas como febre, dor de cabeça, dor no corpo e/ou manchas na pele, busque prontamente um serviço de saúde. Fique atento a sinais de alerta da forma grave como: dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramento de mucosa. Nesse caso, busque imediatamente um serviço de saúde.


Quando disponível, é crucial que pessoas elegíveis se vacinem contra a dengue conforme orientações do Ministério da Saúde. A vacinação e o controle vetorial são fundamentais para prevenir e proteger sua saúde.


O ITpS agradece aos laboratórios parceiros, Sabin, Hosp. Israelita Albert Einstein, Hilab, e HLAGyn, que gentilmente nos forneceram dados de testes diagnósticos (IgM, antígeno e PCR) para compreendermos o cenário epidemiológico da dengue e, em breve, o de outras arboviroses.

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