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Monitoramento de arboviroses - relatório 15

DATA DE PUBLICAÇÃO: 09.12.2025

Dengue: panorama geral | distribuição geográfica | faixa etária


Chikungunya: panorama geral | distribuição geográfica | faixa etária


Outras arboviroses | Mensagens finais


A positividade para dengue (DENV) subiu 1 ponto percentual no último mês, indicando uma tendência de aumento. Em contraste, a positividade para chikungunya (CHIKV) apresentou queda pela terceira semana consecutiva, atingindo 10%. Vale lembrar que a prevenção ao mosquito Aedes aegypti continua sendo a principal forma de combate às duas doenças.


A positividade (porcentagem de exames positivos em relação ao total de exame de um dado período) é um indicador estratégico. Quando calculado usando dados oportunos, pode antecipar a detecção de surtos e contribuir para a tomada de decisões de saúde pública.


As análises são do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) com dados de mais de 1 milhão exames diagnósticos realizados entre janeiro de 2022 e novembro de 2025 pelos laboratórios parceiros DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Hospital Israelita Albert Einstein, Sabin e Target.


1. Panorama da dengue nos últimos anos


A positividade para o vírus da dengue (DENV) apresentou discreto crescimento a partir de novembro, período em que já se espera o início do aumento do número de casos. Na Semana Epidemiológica (SE) 48 a positividade foi de aproximadamente 2%.


-------01_DENV_line_posrate_direct_week_country_years-------


O gráfico a seguir utiliza duas fontes de dados: a positividade de exames (em %), obtida por meio de dados de laboratórios parceiros, e os casos de dengue estimados pelo InfoDengue. Os resultados possibilitam uma análise comparativa entre a curva de positividade e o volume de casos estimados.


É possível identificar como as tendências de aumento da positividade e de número de casos apresentam dinâmicas similares, evidenciando a confiabilidade das análises feitas pelo ITpS nos últimos anos, além da qualidade dos dados fornecidos pelos laboratórios parceiros.


-------22_DENV_line_posrate_bar_pos_direct_week_country_infodengue-------


O InfoDengue estima a ocorrência de mais de 3.770.000 casos de dengue no Brasil entre janeiro e novembro de 2025, sendo 21.585 deles na semana epidemiológica 47 (encerrada 22/11/2025).


O ano de 2024 foi marcado por uma das piores epidemias de dengue na América Latina. Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o Brasil liderou o ranking dos países mais afetados pela doença.


Esse fenômeno também se refletiu nos dados de laboratórios parceiros, que registraram em maio de 2024 (SE 20, encerrada em 17/5/2024) a maior positividade para o vírus da dengue dos últimos dois anos, alcançando 38%.


Os dados abaixo, estratificados entre resultados positivos (vermelho) e negativos (azul) ao longo dos últimos 12 meses, mostram que a demanda por exames para dengue nas últimas semanas epidemiológicas ainda é baixa se comparada ao mesmo período do ano anterior. Além disso, é possível perceber que a demanda por exames está estável, e a positividade dos em torno de 2%.


-------02_DENV_line_bar_posrate_posneg_direct_week_country-------


1.1 Distribuição geográfica dos exames para dengue


Os dados apresentados neste relatório provêm majoritariamente de laboratórios da rede privada, com atuação principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. O gráfico abaixo apresenta o percentual de exames mensais para dengue realizados nessas áreas.


-------03b_DENV_bar_total_direct_weeks_regions-------


No mês de novembro, início do novo ciclo sazonal da doença, o maior percentual de exames realizados para a detecção do vírus da dengue nos laboratórios parceiros envolveu amostras da região Sudeste, seguida do Centro-Oeste e do Sul.


O gráfico abaixo apresenta a positividade para dengue em diferentes estados brasileiros. A maior parte dos estados reportados neste relatório ainda apresenta baixa taxa de positividade nos testes para o vírus da dengue (<5%). A exceção é o Mato Grosso, que está com uma taxa de 6%.


Neste momento, os dados apresentados são, em sua maioria, de diagnósticos para DENV, em especial exames de antígeno (NS1) e PCR. Dados de exames para outros vírus estão disponíveis em menor escala (vide seções abaixo).


-------21_DENV_heat_posrate_direct_weeks_states-------


Os dados das regiões Norte e Nordeste ainda são escassos. Buscando ampliar a cobertura geográfica das análises, o ITpS trabalha para aumentar o volume de resultados de exames para arbovírus e com a busca de novos parceiros. Interessados em colaborar com esta iniciativa podem entrar em contato com o Instituto pelo e-mail comunicacao@itps.org.br.


Outra forma de visualizar os dados é por meio de mapas. Abaixo, é possível verificar a distribuição geográfica dos exames positivos para o vírus da dengue em estados e municípios brasileiros. Os números mostrados são cumulativos desde 3/11/2025, quando os dados apontaram o início do aumento da positividade. O número de positivos está normalizado em proporção a 100.000 habitantes.


-------11_DENV_map_pos_direct-------


Desde o início do atual ciclo sazonal (2025-2026), as Unidades Federativas (UFs) de Mato Grosso (0.37), Tocantins (0.25), Distrito Federal (0.23), Roraima (0.16) e Pernambuco (0.10) foram as que apresentaram, cumulativamente, o maior número de exames positivos (por 100 mil habitantes) entre os sete laboratórios parceiros.


1.2 Distribuição dos exames positivos para dengue por faixa etária


Infecções pelo vírus da dengue afetam todas as idades. Os gráficos abaixo apresentam a positividade (com exames de antígeno e PCR) nas faixas etárias de 0 a 80+ anos.


A positividade para dengue ainda é baixa, mas têm apresentado tendência de aumento desde o início de novembro, como observado nas séries temporais acima. Este movimento, porém, ainda não foi evidenciado nos diferentes grupos etários abaixo. Na SE 48, a faixa de 70-79 anos registrou a maior positividade (3%).


-------06_DENV_heat_posrate_agegroups_week_country-------


Mesmo com esse início de elevação, novembro ainda apresenta poucos casos De junho a novembro, os laboratórios parceiros detectaram cerca de 1.500 infecções pelo vírus da dengue por exames de PCR e antígeno.


-------07_DENV_barH_pos_agegroups_month_country-------




2. Panorama da chikungunya nos últimos anos


Diferentemente dos anos anteriores, em 2025, a positividade para o vírus chikungunya (CHIKV) começou em alta, com 28% na SE 1 (encerrada em 4/1). O percentual continuou subindo até 35% na SE 6 (encerrada em 8/2) – o mais alto para o primeiro trimestre dos últimos três anos (linha verde escura). Em seguida, a positividade seguiu em queda. Agora em novembro, na SE 48, o número de exames positivos para o CHIKV apresentou queda, com uma taxa de 10%, a menor desde o início do ano.


-------14_CHIKV_line_posrate_direct+indirect_week_country_years-------


A série histórica a seguir foi construída com dados dos laboratórios parceiros (positividade, em %) e os casos estimados de chikungunya pelo InfoDengue. Os dados do gráfico abaixo apontam a correlação entre as tendências de aumento e diminuição da positividade e o número de casos estimados.


-------23_CHIKV_line_posrate_bar_pos_direct_week_country_infodengue-------


A demanda por exames para chikungunya nos laboratórios parceiros diminuiu quando comparada ao mesmo período do ano anterior. A diminuição da positividade tem sido percebida ao longo do segundo semestre de 2025, indicando diminuição da transmissão viral em diferentes regiões do país.


-------15_CHIKV_line_bar_posrate_posneg_direct+indirect_week_country-------


2.1 Distribuição geográfica dos exames para chikungunya


Em relação à detecção do vírus da chikungunya neste universo amostral, no último mês analisado, a região Sudeste (34%) foi a que apresentou o maior percentual de exames realizados, seguida pelo Centro-Oeste (29%) e Nordeste (25%).


-------16b_CHIKV_bar_total_direct+indirect_weeks_regions-------


O mapa abaixo mostra a proporção de exames positivos (PCR e IgM) para chikungunya por 100.000 habitantes em diferentes estados brasileiros, desde 24/11/2024, quando a positividade começou a subir. Mato Grosso (56.4), Alagoas (14.8) e Tocantins (12.0) apresentam, respectivamente, os maiores números de exames positivos (cumulativos, por 100.000 habitantes) detectados por laboratórios parceiros desde o início do atual ciclo sazonal (2024/2025).


-------12_CHIKV_map_pos_direct+indirect-------


Como citamos anteriormente, os dados apresentados acima não cobrem todas as regiões de maneira equitativa e, apesar das limitações amostrais, as análises espaciais evidenciam algumas das localidades mais afetadas por infecções pelo vírus chikungunya.


2.2 Distribuição dos exames positivos para chikungunya por faixa etária


Entre junho e novembro deste ano, os laboratórios parceiros detectaram mais de 2.173 infecções pelo vírus por exames de PCR e sorológicos (IgM). Em novembro, a faixa etária com maior número de casos foi a de 40-49 anos.


-------08_Arbo_barH_pos_agegroups_month_country-------



3. Outras arboviroses


Entre os dados analisados também há resultados de exames que detectam outros arbovírus em circulação, como o vírus da Zika, Oropouche, febre amarela e Mayaro. Abaixo está o número de exames positivos (por PCR, antígeno ou IgM) para esses vírus, por faixa etária, ao longo dos últimos meses. Mesmo com poucos casos é importante salientar que o vírus da Zika continua circulando em território nacional, embora em baixa proporção.


-------XX_Arbo_barH_pos_agegroups_month_country-------


4. Mensagens finais


Embora número de testes positivos para dengue ainda seja baixo, já há sinais de tendência de aumento.Por isso, é importante seguir as recomendações do Guia de Ação para Redução da Dengue e outras Arboviroses, elaborado pelo Ministério da Saúde para o enfrentamento do período sazonal de 2024/2025, com o objetivo de combater dengue e outras arboviroses no Brasil.


Dengue e chikungunya são doenças vetoriais transmitidas por mosquitos do gênero Aedes (A. aegypti e A. albopictus). Neste momento, apesar do recente lançamento da campanha de vacinação contra a dengue, a principal forma de controle ainda é o combate ao vetor.


Para isso, é preciso eliminar os criadouros, removendo recipientes que acumulam água, tanto antes quanto durante o período de surtos. Fique atento dentro e fora da sua casa, verifique locais que podem ser foco dos mosquitos e, se necessário, comunique à vigilância da sua cidade sobre terrenos baldios que possam conter criadouros.


Quando disponível, pessoas elegíveis devem se vacinar contra a dengue, conforme orientações do Ministério da Saúde. A vacinação e o controle vetorial são fundamentais para prevenir e proteger sua saúde.


O ITpS agradece aos laboratórios parceiros, DB Molecular, Fleury, Hospital Israelita Albert Einstein, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Sabin e Target, que gentilmente fornecem dados de diagnóstico para compreender o cenário epidemiológico da dengue, chikungunya e outras arboviroses.


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