Dengue: panorama geral | distribuição geográfica | faixa etária
Chikungunya: panorama geral | distribuição geográfica | faixa etária
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A positividade para dengue (DENV) não ultrapassou 5% no primeiro trimestre de 2026 e foi a mais baixa dos últimos quatro anos. Na Semana Epidemiológica (SE) 12 (encerrada em 28/3/2026), a última analisada, a taxa de testes positivos foi de 4%. Já a positividade para chikungunya (CHIKV) subiu um ponto percentual em duas semanas e encerrou a SE 12 em 15%. Vale lembrar que a prevenção contra o mosquito Aedes aegypti continua sendo a principal forma de combate a ambas as doenças.
A positividade (porcentagem de exames positivos em relação ao total de exame de um dado período) é um indicador estratégico. Quando calculado usando dados oportunos, pode antecipar a detecção de surtos e contribuir para a tomada de decisões de saúde pública.
As análises são do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) com dados de mais de 1 milhão exames diagnósticos realizados entre janeiro de 2022 e março de 2026 pelos laboratórios parceiros DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Einstein Hospital Israelita, Sabin e Target.
A positividade para o vírus da dengue (DENV) apresentou discreto crescimento a partir de novembro de 2025, período em que já era esperado o início de aumento no número de casos. No entanto, no primeiro trimestre de 2026 não ultrapassou os 5%. Na última semana analisada, a Semana Epidemiológica (SE) 12 (encerrada em 28/3/2026), a taxa de testes positivos foi de 4%.
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O gráfico a seguir utiliza duas fontes de dados: a positividade de exames (em %), obtida por meio de dados de laboratórios parceiros, e os casos de dengue estimados pelo InfoDengue. Os resultados possibilitam uma análise comparativa entre a positividade de exames e o volume de casos estimados.
É possível identificar como as tendências de aumento da positividade e de número de casos apresentam dinâmicas similares, evidenciando a confiabilidade das análises feitas pelo ITpS nos últimos anos, além da qualidade dos dados fornecidos pelos laboratórios parceiros.
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O InfoDengue estimou a ocorrência de mais de 470 mil casos de dengue no Brasil entre janeiro e março de 2026, sendo cerca de 54 mil apenas na Semana Epidemiológica (SE) 11 (encerrada em 21/3/2026).
Os dados abaixo, estratificados entre resultados positivos (vermelho) e negativos (azul) ao longo dos últimos 12 meses, mostram que a demanda por exames para dengue nas últimas semanas epidemiológicas ainda é baixa se comparada ao mesmo período do ano anterior.
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Os dados apresentados neste relatório provêm majoritariamente de laboratórios da rede privada, com atuação principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. O gráfico abaixo apresenta o percentual de exames mensais para dengue realizados por região do Brasil.
No último mês analisado, a região Sudeste foi a que apresentou o maior percentual de exames realizados (51%), seguida pelo Centro-Oeste (27%) e Sul (14%).
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O gráfico a seguir detalha a positividade para dengue em vários estados do Brasil. Em Mato Grosso (MT), observa-se redução da positividade desde o início de março. Ainda assim, a taxa de testes positivos permanece elevada, em cerca de 15%. Nos demais estados com dados disponíveis, a positividade para o vírus se mantém em 3% ou menos, com exceção de Minas Gerais, que apresenta taxa de 7%.
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Outra forma de visualizar os dados é por meio de mapas. Abaixo, é possível verificar a distribuição geográfica dos exames positivos para o vírus da dengue em estados e municípios brasileiros. Os números mostrados são cumulativos desde 21/12/2025, quando os dados apontaram o início do aumento da positividade. O número de positivos está normalizado em proporção a 100 mil habitantes.
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Desde o início do atual ciclo sazonal (2025-2026), as Unidades Federativas (UFs) de Mato Grosso (4,9), Tocantins (3,2), Distrito Federal e Goiás (1,1) foram as que apresentaram, cumulativamente, o maior número de exames positivos por 100 mil habitantes entre os laboratórios parceiros.
As infecções pelo vírus da dengue afetam todas as idades. Os gráficos abaixo apresentam a positividade (com exames de antígeno e PCR) entre pessoas de 0 a 80+ anos e indicam aumento em algumas faixas etárias, ainda que em níveis baixos, evidenciado pela mudança de cores no gráfico abaixo nas últimas semanas. Na SE 12, a faixa de 50 a 59 anos registrou positividade maior que 5%.
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De outubro de 2025 até 28/3/2026, os laboratórios parceiros detectaram 986 infecções pelo vírus da dengue por exames de PCR e antígeno.
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O ano de 2026 iniciou com relativa estabilidade na positividade para o vírus chikungunya (CHIKV), mantendo-se em torno de 10% até final de fevereiro quando a positividade voltou a subir. Diferente do que foi observado em 2025 no mesmo período, quando a positividade começou alta, em 29%. Na Semana Epidemiológica (SE) 12 (encerrada em 28/3/2026), a última analisada, a taxa de testes positivos foi de 15%.
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A série histórica a seguir foi construída com dados dos laboratórios parceiros (positividade, em %) e os casos estimados de chikungunya pelo InfoDengue. Os dados do gráfico abaixo apontam a correlação entre as tendências de aumento e diminuição da positividade e o número de casos estimados.
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A demanda por exames para chikungunya nos laboratórios parceiros diminuiu quando comparada ao mesmo período do ano anterior. Apesar disso, é notório o aumento da positividade desde de final de janeiro de 2026, indicando aumento da transmissão viral em diferentes regiões do país.
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No último mês analisado, a região Sudeste foi a que apresentou o maior percentual de exames realizados (39%), seguida pelo Centro-Oeste (30%) e Nordeste (19%).
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O mapa abaixo apresenta a taxa de exames positivos (PCR e IgM) para chikungunya por 100 mil habitantes em diferentes estados brasileiros desde 1/2/2026. Desde o início do ciclo sazonal 2025/2026, Goiás (1,5), Distrito Federal (1,1) e Mato Grosso do Sul (1) concentram os maiores números cumulativos de resultados positivos em proporção às suas populações.
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Como citamos anteriormente, os dados apresentados acima não cobrem todas as regiões de maneira equitativa e, apesar das limitações amostrais, as análises espaciais evidenciam algumas das localidades que estão sendo mais afetadas por infecções pelo vírus chikungunya nas últimas semanas.
Entre outubro de 2025 até a SE 12 (encerrada em 28/3/2026), os laboratórios parceiros detectaram mais de 1.229 infecções pelo vírus por exames de PCR e sorológicos (IgM). Em março, a faixa etária com maior número de casos foi a de 60 a 69 anos.
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Entre os dados analisados também há resultados de exames que detectam outros arbovírus em circulação, como o vírus da Zika, Oropouche, febre amarela e Mayaro. Abaixo está o número de exames positivos (por PCR, antígeno ou IgM) para esses vírus, por faixa etária, ao longo dos últimos meses. Mesmo com poucos casos, é importante destacar o registro de um teste positivo para febre amarela em março. Além disso, o vírus da zika continua circulando no território nacional, embora com baixa prevalência.
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Mesmo que o número de testes positivos para dengue ainda esteja baixo, estamos em uma época do ano que ocorre grande proliferação do mosquito vetor. Por isso, é importante seguir as recomendações do Guia de Ação para Redução da Dengue e outras Arboviroses, elaborado pelo Ministério da Saúde para o enfrentamento do vírus e outras arboviroses no período sazonal de 2025/2026.
Dengue e chikungunya são doenças vetoriais transmitidas por mosquitos do gênero Aedes (Ae. aegypti e Ae. albopictus). Neste momento, apesar da campanha de vacinação contra a dengue, a principal forma de controle ainda é o combate ao vetor.
Para isso, é preciso eliminar os criadouros, removendo recipientes que acumulam água, tanto antes quanto durante o período de surtos. Fique atento dentro e fora da sua casa, verifique locais que podem ser foco dos mosquitos e, se necessário, comunique à vigilância da sua cidade sobre terrenos baldios que possam conter criadouros.
Quando disponível, pessoas elegíveis devem se vacinar contra a dengue, conforme orientações do Ministério da Saúde. A vacinação e o controle vetorial são fundamentais para prevenir e proteger sua saúde.
O ITpS agradece aos laboratórios parceiros, DB Molecular, Fleury, Einstein Hospital Israelita, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Sabin e Target, que gentilmente fornecem dados de diagnóstico para compreender o cenário epidemiológico da dengue, chikungunya e outras arboviroses.