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Monitoramento de arboviroses - relatório 21

DATA DE PUBLICAÇÃO: 11.06.2026

Dengue: panorama geral | distribuição geográfica | faixa etária


Chikungunya: panorama geral | distribuição geográfica | faixa etária


Outras arboviroses | Mensagens finais


A positividade para dengue (DENV) recuou dois pontos percentuais em duas semanas e atingiu 11% na Semana Epidemiológica (SE) 22 (encerrada em 6/6/2026), a última analisada. A positividade para chikungunya (CHIKV) também caiu. Em apenas uma semana, passou de 26% para 20%. Apesar do cenário de queda, esses arbovírus ainda circulam com expressivas taxas de infecção, o que reforça a importância da vigilância e da eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, que é a principal forma de prevenção das duas doenças.


A positividade (porcentagem de exames positivos em relação ao total de exame de um dado período) é um indicador estratégico. Quando calculado usando dados oportunos, pode antecipar a detecção de surtos e contribuir para a tomada de decisões de saúde pública.


As análises são do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) com dados de mais de 2 milhões de exames diagnósticos realizados entre janeiro de 2022 e maio de 2026 pelos laboratórios parceiros DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Einstein Hospital Israelita, Sabin e Target.


1. Panorama da dengue nos últimos anos


A positividade para o vírus da dengue (DENV) apresentou um crescimento discreto a partir de novembro de 2025, período esperado para o início da sazonalidade. Contudo, no primeiro trimestre de 2026, os índices permaneceram abaixo de 5%. A maior positividade do ano foi de 13%, registrada na Semana Epidemiológica (SE) 20 (encerrada em 23/5/2026). Já na SE 22 (encerrada em 6/6/2026), a última semana analisada, a taxa recuou para 11%.


-------01_DENV_line_posrate_direct_week_country_years-------


O gráfico a seguir utiliza duas fontes de dados: a positividade de exames (em %), obtida por meio de dados de laboratórios parceiros, e os casos de dengue estimados pelo InfoDengue. Os resultados possibilitam uma análise comparativa entre a positividade de exames e o volume de casos estimados.


É possível identificar como as tendências de aumento da positividade e de número de casos apresentam dinâmicas similares, evidenciando a confiabilidade das análises feitas pelo ITpS nos últimos anos, além da qualidade dos dados fornecidos pelos laboratórios parceiros.


-------22_DENV_line_posrate_bar_pos_direct_week_country_infodengue-------


O InfoDengue estimou a ocorrência de mais de 1 milhão casos de dengue no Brasil entre janeiro e maio de 2026, sendo cerca de 46 mil apenas na SE 21 (encerrada em 30/5).


Dados dos últimos 12 meses, estratificados por resultados positivos (vermelho) e negativos (azul), indicam que a procura por exames de dengue é inferior à observada no mesmo período do ano passado. Embora a positividade (faixa amarela) tenha apresentado crescimento progressivo entre as SE 12 e 20, registrou-se uma queda de dois pontos percentuais nas últimas duas semanas.


-------02_DENV_line_bar_posrate_posneg_direct_week_country-------


1.1 Distribuição geográfica dos exames para dengue


Os dados apresentados neste relatório provêm majoritariamente de laboratórios da rede privada, com atuação principalmente nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. O gráfico abaixo apresenta o percentual de exames mensais para dengue realizados por região do Brasil.


No último mês analisado, a região Sudeste foi a que apresentou o maior percentual de exames realizados (40%), seguida pelo Centro-Oeste (26%) e Nordeste (23%).


-------03b_DENV_bar_total_direct_weeks_regions-------


O gráfico a seguir detalha a positividade para dengue em vários estados do Brasil. Atualmente, todos os estados com dados disponíveis apresentaram positividade igual ou inferior a 5%.


-------21_DENV_heat_posrate_direct_weeks_states-------


Outra forma de visualizar os dados é por meio de mapas. Abaixo, é possível verificar a distribuição geográfica dos exames positivos para o vírus da dengue em estados e municípios brasileiros. Os números mostrados são cumulativos desde 21/12/2025, quando os dados apontaram o início do aumento da positividade. O número de positivos está normalizado em proporção a 100 mil habitantes.


-------11_DENV_map_pos_direct-------


Desde o início do atual ciclo sazonal 2025-2026, as Unidades Federativas (UFs) de Mato Grosso (10,1), Piauí (15,3) e Tocantins (6,8) foram as que apresentaram, cumulativamente, o maior número de exames positivos por 100 mil habitantes entre os laboratórios parceiros.


1.2 Distribuição dos exames positivos para dengue por faixa etária


As infecções pelo vírus da dengue afetam todas as idades. Os gráficos abaixo apresentam a positividade (com exames de antígeno e PCR) entre pessoas de 0 a 80+ anos e indicam aumento entre abril e maio, evidenciado pela mudança de cores. Na SE 22, a maior positividade foi registrada entre pessoas de 20 a 29 anos, com 18%, seguida pelas faixas de 60 a 69 anos.


-------06_DENV_heat_posrate_agegroups_week_country-------


De dezembro de 2025 até 2/5/2026, os laboratórios parceiros detectaram 2.114 infecções pelo vírus da dengue por exames de PCR e antígeno.


-------07_DENV_barH_pos_agegroups_month_country-------


2. Panorama da chikungunya nos últimos anos


O ano de 2026 iniciou com relativa estabilidade na positividade para o vírus chikungunya (CHIKV), mantendo-se em torno de 10% até meados de fevereiro quando a positividade voltou a subir. Este cenário foi diferente do observado em 2025, quando a maior positividade ocorreu no início de fevereiro, alcançando a taxa de 35%. Mas em 2026, a maior positividade, até o momento, ocorreu na Semana Epidemiológica (SE) 21 (encerrada em 30/5), atingindo 26%. Embora a positividade tenha apresentado queda na SE 22 (encerrada em 6/6), a última semana analisada, a taxa de testes positivos permanece elevada, com 20%.


-------14_CHIKV_line_posrate_direct+indirect_week_country_years-------


A série histórica a seguir foi construída com dados dos laboratórios parceiros (positividade, em %) e os casos estimados de chikungunya pelo InfoDengue. Os dados do gráfico abaixo apontam a correlação entre as tendências de aumento e diminuição da positividade e o número de casos estimados.


-------23_CHIKV_line_posrate_bar_pos_direct_week_country_infodengue-------


A demanda por exames para chikungunya nos laboratórios parceiros diminuiu na SE 22 e é menor quando comparada ao mesmo período do ano anterior (barras). Também é notório o aumento da positividade (linha amarela) desde o final de janeiro de 2026, indicando avanço da transmissão viral em diferentes regiões do país.


-------15_CHIKV_line_bar_posrate_posneg_direct+indirect_week_country-------


2.1 Distribuição geográfica dos exames para chikungunya


No último mês analisado, a região Sudeste foi a que apresentou o maior percentual de exames realizados (45%), seguida pela região Nordeste (27%) e Centro-Oeste (22%).


-------16b_CHIKV_bar_total_direct+indirect_weeks_regions-------


O mapa abaixo apresenta a taxa de exames positivos (PCR e IgM) para chikungunya por 100 mil habitantes em diferentes estados brasileiros desde 1/2/2026. Desde o início do ciclo sazonal de 2026, Goiás (4.8), Distrito Federal (2.9) e Mato Grosso do Sul (2.5) concentram os maiores números cumulativos de resultados positivos em proporção às suas populações.


-------12_CHIKV_map_pos_direct+indirect-------


Como citamos anteriormente, os dados apresentados acima não cobrem todas as regiões de maneira equitativa e, apesar das limitações amostrais, as análises espaciais evidenciam algumas das localidades que estão sendo mais afetadas por infecções pelo vírus chikungunya nas últimas semanas.


2.2 Distribuição dos exames positivos para chikungunya por faixa etária


Entre janeiro de 2025 até a SE 22 (encerrada em 6/6/2026), os laboratórios parceiros detectaram mais de 1.785 infecções pelo vírus por exames de PCR e sorológicos (IgM). Em maio, as faixas etárias que concentraram maior número de casos foram as de 40 a 49 e de 50 a 59 anos.


-------08a_Arbo_barH_pos_agegroups_month_country-------


3. Outras arboviroses


Entre os dados analisados também há resultados de exames que detectam outros arbovírus em circulação, como o vírus da Zika, Oropouche, febre amarela e Mayaro. Abaixo está o número de exames positivos (por PCR, antígeno ou IgM) para esses vírus, por faixa etária, ao longo dos últimos meses. Mesmo com poucos casos, é importante destacar o registro de um teste positivo para febre amarela em março e outro em maio. Além disso, o vírus da Zika continua circulando no território nacional, embora com baixa prevalência.


-------08b_Arbo_barH_pos_agegroups_month_country-------


4. Mensagens finais


O número de testes positivos para dengue é o menor dos últimos três anos para este período. No entanto, a alta taxa de infecções por chikungunya reforça a necessidade de vigilância constante e do controle do mosquito vetor. Por isso, é importante seguir as recomendações do Guia de Ação para Redução da Dengue e outras Arboviroses, elaborado pelo Ministério da Saúde para o enfrentamento do vírus e outras arboviroses no período sazonal de 2025/2026.


Dengue e chikungunya são doenças vetoriais transmitidas por mosquitos do gênero Aedes (Ae. aegypti e Ae. albopictus). Neste momento, apesar da campanha de vacinação contra a dengue, a principal forma de controle ainda é o combate ao vetor.


Para isso, é preciso eliminar os criadouros, removendo recipientes que acumulam água, tanto antes quanto durante o período de surtos. Fique atento dentro e fora da sua casa, verifique locais que podem ser foco dos mosquitos e, se necessário, comunique à vigilância da sua cidade sobre terrenos baldios que possam conter criadouros.


Quando disponível, pessoas elegíveis devem se vacinar contra a dengue, conforme orientações do Ministério da Saúde. A vacinação e o controle vetorial são fundamentais para prevenir e proteger sua saúde.


O ITpS agradece aos laboratórios parceiros, DB Molecular, Fleury, Einstein Hospital Israelita, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Sabin e Target, que gentilmente fornecem dados de diagnóstico para compreender o cenário epidemiológico da dengue, chikungunya e outras arboviroses.

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