Dengue: panorama geral | positividade | casos e óbitos por região de saúde | casos por sorotipo e estado | linhagens
Chikungunya: panorama geral | faixa etária
Outras arboviroses | Mensagens finais
Este relatório do Instituto Todos pela Saúde (ITpS) apresenta um panorama da situação das arboviroses no Brasil, com foco em dengue e chikungunya. As análises detalham os números de casos e a positividade dos vírus, sorotipo e linhagens que circularam, entre outras métricas. O documento também aborda a circulação de outros arbovírus e reforça a importância das medidas de prevenção e controle.
As análises são do ITpS com dados de mais de 2 milhões de exames diagnósticos realizados entre janeiro de 2022 e outubro de 2026 pelos laboratórios parceiros DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Einstein Hospital Israelita, Sabin e Target, bem como dados do setor público (DataSUS, InfoDengue e CNIE).
Os gráficos com diferentes informações são interativos e um deles é apresentado em formato de slides.
O ano de 2025 começou de forma bem diferente do observado em 2024 quanto à positividade para o DENV, segundo dados de laboratórios parceiros. Enquanto na Semana Epidemiológica 1 de 2024 (SE 1, encerrada em 6/1), 30% dos resultados foram positivos, o mesmo período de 2025, encerrado em 4/1, marcou o percentual de 10%.
Já na SE 20 de 2024 (encerrada em 17/5) houve o pico do número de casos de dengue, e a taxa de testes positivos ultrapassou 37%. Em 2025, o pico do número de casos ocorreu antes, na SE 14 (encerrada em 5/4), com 23% de positividade.
A maior positividade em 2026 ocorreu na SE 23 (encerrada em 13/6) de 13%, essa taxa de testes positivos foi a menor dos últimos quatro anos. Na SE 42 (encerrada em 24/10), a última semana analisada, a positividade foi de 2%.
A positividade (porcentagem de exames positivos em relação ao total de exame de um dado período) é um indicador estratégico. Quando calculado usando dados oportunos, pode antecipar a detecção de surtos e contribuir para a tomada de decisões de saúde pública.
O gráfico a seguir utiliza duas fontes de dados: a positividade de exames (em %), obtida por meio de dados de laboratórios parceiros, e os casos de dengue estimados pelo InfoDengue. Os resultados possibilitam uma análise comparativa entre a curva de positividade e o volume de casos estimados.
É possível identificar como as tendências de aumento da positividade e de número de casos apresentam dinâmicas similares, evidenciando a confiabilidade das análises feitas pelo ITpS nos últimos anos, além da qualidade dos dados fornecidos pelos laboratórios parceiros.
O ano de 2024 foi marcado por uma das piores epidemias de dengue na América Latina. Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), o Brasil liderou o ranking dos países mais afetados pela doença.
Os dados abaixo, estratificados entre resultados positivos (vermelho) e negativos (azul), e a positividade (linha amarela), abrangem o período de janeiro de 2022 a outubro de 2026. O ano de 2024 se destaca dos anos anteriores e do atual pela alta demanda de testes e pela elevada positividade em laboratórios parceiros.
Abaixo podemos observar análises comparativas dos últimos períodos sazonais em relação a distribuição espacial da incidência (casos por 100 mil habitantes) e da mortalidade por dengue (óbitos por 100 mil habitantes) nas diferentes regiões de saúde de todos os estados brasileiros entre 2023 e 2026.
O mapa abaixo (bivariado) traz as duas variáveis em conjunto: incidência (em tons de azul) e óbitos (em tons de laranja). Na parte inferior, os mapas menores apresentam uma visão geral da incidência e de óbitos separadamente, ano a ano. O mapa é interativo e em formato de slides. Clique na seta no canto superior esquerdo e veja esta análise para os anos de 2023 a 2026.
Na visualização espacial acima, buscamos identificar quais localidades foram mais impactadas nos últimos anos, ou seja, quais reportaram maiores números relativos de casos e mortes. Estas são representadas acima em tons de cinza escuro, indicando alta incidência (mais de 5 mil casos por 100 mil habitantes) e alta mortalidade (mais de duas mortes por 100 mil habitantes). Regiões com tons laranja-amarronzado tiveram desproporcionalmente mais óbitos que o esperado para o número de casos. De forma inversa, aquelas em tons de azul tiveram desproporcionalmente menos óbitos que o esperado para o número de casos reportados.
Em 2023, foram notificados cerca de 1.508.653 casos e 1.096 óbitos por dengue, conforme apresentado na primeira figura. Os municípios do Centro-Sul do país foram particularmente mais afetados, com destaque para localidades de Minas Gerais (João Pinheiro, Patrocínio-Monte Carmelo, Passos, Piumhi, entre outras), de São Paulo (Noroeste da DR3 e localidades entre Alta Paulista e Alto Capivari) e do Paraná (Londrina e Foz do Iguaçu, entre outras). Todas essas regiões tiveram altas taxas de casos e óbitos em 2023.
Em 2024, sob a influência do fenômeno El Ninõ, que pode ter contribuído para o aumento da transmissão da dengue, o Brasil registrou recordes de casos e óbitos pela doença (clique na seta para visualizar o segundo mapa). Foram notificados 6.434.137 casos e 6.270 óbitos, números cerca de seis vezes maiores que os registrados em 2023. Localidades de Norte a Sul foram fortemente afetadas. Das 439 regiões de saúde avaliadas, 108 (24%) apresentaram altas taxas de incidência (mais de 5 mil casos por 100 mil habitantes) e mortalidade (mais de 2 óbitos por 100 mil habitantes).
Entre essas 108 regiões mais afetadas, 90 (83%) estão localizadas nos seguintes estados: Bahia (com destaque para Guanambi e Vitória da Conquista), Goiás (sete regiões afetadas), Distrito Federal (onde foi registrada a maior mortalidade do ano), Minas Gerais (47 regiões, em particular no Centro do estado), Rio de Janeiro (uma região no Médio Parnaíba), São Paulo (21 regiões por todo o estado), Paraná (cinco regiões entre Francisco Beltrão e Jacarezinho), Santa Catarina (quatro regiões entre Nordeste do estado e o Vale do Itajaí) e Rio Grande do Sul (3 regiões do Noroeste do estado).
Em comparação com 2024, o Brasil registrou números menores de casos e óbitos por dengue em 2025 (clique na seta para visualizar o terceiro mapa). Foram notificados quase 1 milhão e meio de casos e 1.841 óbitos. Naquele ano, 16 regiões apresentaram mais de 5 mil casos por 100 mil habitantes, enquanto outras 60 regiões registraram mais de 2 óbitos por 100 mil habitantes.
Até o momento, o ano de 2026 (clique na seta para visualizar o quarto e último mapa) registrou mais 374 mil casos e 371 óbitos. Goiás foi um dos estados mais afetados pela doença, com quatro regiões que registraram mais de 2 mil casos por 100 mil habitantes. São elas: Sudoeste I, Sudoeste II, Central e Centro Sul. Por ser um ano de Super El Ninõ, devemos ficar atentos ao novo ciclo sazonal da dengue que inicia nesta época.
O vírus da dengue (DENV) possui quatro sorotipos, que circulam e causam surtos de forma independente. A imagem abaixo apresenta o panorama dos mais comuns em cada estado, por ano (2023, 2024, 2025 e 2026). No treemap interativo, quanto maior um retângulo, maior a incidência no estado e maior a prevalência de um sorotipo.
Clicando em "Ano 2023" você verá como foi o panorama daquele período. O sorotipo 1 (DENV-1) foi o mais prevalente no país, respondendo por cerca de 79% dos casos. Em estados como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Paraná, esse percentual ultrapassou 96%. O sorotipo 2 (DENV-2) veio em seguida, sendo responsável por cerca de 21% dos registros, sendo o mais comum no Distrito Federal e em outros sete estados: Rondônia, Acre, Amazonas, Bahia, Paraíba, Sergipe e Rio Grande do Norte.
Clicando em "Ano 2024" você verá no Treemap como foi o panorama daquele ano de registros recordes. O sorotipo 1 seguiu sendo o mais prevalente no país, sendo observado em pouco mais da metade dos casos registrados (54%), em especial nos estados com alta incidência, como Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Paraná, onde mais de 96% dos casos foram causados por DENV-1. O sorotipo 2 veio em seguida, sendo responsável por cerca de 21% dos casos.
Ao clicar em "Ano 2025", é possível visualizar o panorama dos sorotipos nesse período. O sorotipo 2 foi o mais frequente, responsável por 74% dos casos, com destaque para os estados de maior incidência, como São Paulo (71%), Goiás (81%) e Paraná (79%). Também chama a atenção o aumento expressivo na prevalência do sorotipo 3, que causou ao menos 14% dos casos do ano – atingindo 24% dos registros no estado de São Paulo.
No ano anterior, alertamos sobre mudanças importantes na prevalência dos diferentes sorotipos. Até o momento, neste ano, o sorotipo 2 permaneceu como o mais frequente (64%), seguido pelo sorotipo 3 (30%), que há anos apresentava pouca ocorrência. Em Goiás, estado com a maior incidência, o sorotipo 3 foi o principal responsável pelos casos (54%). É importante ressaltar que o sorotipo 4 também foi detectado em alguns estados, mas em menor frequência. Por isso, é fundamental acompanhar a circulação dos sorotipos e seus impactos na saúde pública por meio de dados de sorotipagem e sequenciamento.
Como qualquer vírus em circulação, o vírus da dengue (DENV) também sofre mutações à medida que infecta seus hospedeiros. Variantes surgem e algumas delas podem ter propriedades diferenciadas, ou seja, ser mais transmissíveis, mais evasivas a vacinas etc.
Abaixo, é possível observar as linhagens de DENV que circularam com maior frequência entre 2024 e 2026, de acordo com os dados genômicos disponíveis no painel do Centro Nacional de Inteligência Epidemiológica e Vigilância Genômica (CNIE) e dos dados gerados pelo projeto Genômica para Vigilância Oportuna de Patógenos (Gevop), do ITpS, a partir do sequenciamento de amostras positivas realizado por laboratórios parceiros, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD-Fiocruz), em Manaus.
No gráfico da seção 1.3, observa-se que o sorotipo 1 foi o mais frequente em 2024, com maior prevalência da linhagem 1V_E.1 (85,7%), que permaneceu como a mais comum desse sorotipo também em 2025. Já em 2026, entre os registros em que o DENV-1 foi identificado, a linhagem mais frequente passou a ser a 1V_D.1.1.
Em relação ao sorotipo 2, a linhagem mais frequente entre 2024 e 2026 foi a 2II_F.1.1.2. O sorotipo 3 aumentou em incidência entre 2024 e 2026, mas a linhagem mais frequente durante esses anos foi a 3III_B.3.2. Por fim, o sorotipo 4 circulou com baixa frequência, alternando entre as linhagens 4II_B e 4II_B.1.2.
Um sistema universal de nomenclatura de linhagens virais é essencial para um bom uso dos dados produzidos pela vigilância genômica viral, permitindo uma melhor comunicação e compreensão dos resultados de sequenciamento gerados no Brasil e no mundo. O sistema de nomenclatura utilizada pelo Ministério da saúde e nesse relatório é descrito neste manuscrito e nesse website.
A seguir, o relatório apresenta os dados referentes ao vírus da chikungunya (CHIKV), que também registrou um número elevado de casos em 2024. A taxa de positividade dos exames entre a Semana Epidemiológica (SE) 21 (encerrada em 25/05) e a SE 28 (encerrada em 13/07) permaneceu acima de 35%, atingindo o pico de 39% na SE 25 (encerrada em 22/06). Em 2025, o maior índice de testes positivos ocorreu em fevereiro, na SE 6 (encerrada em 08/02), com 35% de positividade. Em 2026, até o momento, o patamar mais alto foi registrado na SE 25 (encerrada em 27/06), alcançando 30%.
A série histórica a seguir foi construída com dados dos laboratórios parceiros (positividade, em %) e os casos estimados de chikungunya pelo InfoDengue. O gráfico abaixo aponta a correlação entre as tendências de aumento e diminuição da positividade e o número de casos estimados.
A positividade para o CHIKV apresenta grandes oscilações ao longo dos anos, muito em função da baixa demanda por exames.
Abaixo, podemos observar que, em 2025 e 2026, a demanda por exames foi maior do que nos anos de 2022 e 2023, porém, ainda assim, bem menor do que em 2024.
Infecções pelo vírus da chikungunya ocorrem em pessoas de todas as idades. Os gráficos a seguir apresentam a positividade confirmada por exames de PCR e IgM para faixas etárias de 0 a mais de 80 anos, no período de 2022 a 2026. Em 2022 e 2023, a ocorrência de casos distribuiu-se ao longo dos trimestres. Já entre 2024 e 2025, nota-se maior concentração no primeiro e segundo trimestres. Em 2026, por sua vez, os casos concentraram-se no segundo e terceiro trimestres.
Entre os dados analisados também há resultados de exames que detectam outros arbovírus em circulação, como o vírus da Zika, Oropouche, febre amarela e Mayaro. Abaixo está o número de exames positivos (por PCR, antígeno ou IgM) para esses vírus, por faixa etária, entre 2022 e 2026. Mesmo com poucos casos, é importante salientar que o vírus da Zika continua circulando em território nacional, embora em baixa prevalência.
A dengue é uma doença sazonal e, nos próximos meses, já se espera um aumento no número de casos. Por isso, é fundamental estar atento às recomendações do Guia de Ação para Redução da Dengue e outras Arboviroses. Este plano, elaborado pelo Ministério da Saúde, foi criado para o enfrentamento do período sazonal de 2024/2025, mas suas ações continuam válidas para o combate à dengue e outras arboviroses em todo o Brasil.
Dengue e chikungunya são doenças vetoriais transmitidas por mosquitos do gênero Aedes (A. aegypti e A. albopictus). Neste momento, apesar do recente lançamento da campanha de vacinação contra a dengue, a principal forma de controle ainda é o combate ao vetor.
Para isso, é preciso eliminar os criadouros, removendo recipientes que acumulam água, tanto antes quanto durante o período de surtos. Fique atento dentro e fora da sua casa, verifique locais que podem ser foco dos mosquitos e, se necessário, comunique à vigilância da sua cidade sobre terrenos baldios que possam conter criadouros.
Quando disponível, pessoas elegíveis devem se vacinar contra a dengue, conforme orientações do Ministério da Saúde. A vacinação e o controle vetorial são fundamentais para prevenir e proteger sua saúde.
O ITpS agradece aos laboratórios parceiros, DB Molecular, Fleury, Einstein Hospital Israelita, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Sabin e Target, que gentilmente fornecem dados de diagnóstico para compreender o cenário epidemiológico da dengue, chikungunya e outras arboviroses.