Cenário epidemiológico | SARS-CoV-2 | Influenza A | Influenza B | VSR | Outros patógenos | Mensagens finais
Após um período de três meses de baixa circulação, dados de positividade de exames apontam que as infecções por SARS-CoV-2 (covid-19) voltaram a crescer na Semana Epidemiológica (SE) 29, encerrada em 19/7. Em contrapartida, os demais vírus respiratórios de importância em saúde pública (Vrisp) seguem em queda de casos graves e positividade.
As análises são do Instituto Todos pela Saúde (ITpS), com dados de exames feitos até 19/7/2025 pelos laboratórios parceiros Dasa, DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Hospital Israelita Albert Einstein, Sabin e Target. Desde dezembro de 2021, o ITpS já analisou 5.646.661 resultados de exames que detectam diferentes patógenos respiratórios.
No mesmo período, apenas 5% dos exames realizados tiveram resultado positivo para algum patógeno respiratório (linha amarela abaixo). Porém observamos que o SARS-CoV-2 irá mudar esse cenário, elevando o número de casos muito em breve.
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As séries temporais abaixo informam os percentuais de exames positivos (positividade) para os vírus de maior relevância em saúde pública. No gráfico, as linhas ascendentes ao longo de semanas indicam surtos pelo país e as descendentes, o arrefecimento.
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Para fins de comparação entre os principais patógenos respiratórios circulantes, os quatro próximos gráficos consideram somente resultados de painéis virais, exames capazes de detectar simultaneamente os vírus SARS-CoV-2, Influenza A, Influenza B e VSR.
Abaixo estão os números absolutos de exames positivos por vírus, de acordo com a semana epidemiológica. É possível interagir com o gráfico passando o cursor do mouse sobre os elementos para obter informações adicionais ou clicando sobre os retângulos coloridos na legenda para incluir ou remover dados de vírus específicos.
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Assim como em 2024, os vírus VSR e Influenza A apresentaram circulação concomitante em 2025, com aumento dos casos a partir de março e picos em abril e maio, respectivamente. Atualmente, ambos seguem como os vírus respiratórios de maior circulação, apesar do cenário de queda. Em julho, a positividade de exames para SARS-CoV-2 (covid-19) voltou a crescer, começando uma nova tendência de alta.
A seguir, é possível observar os mesmos dados apresentados acima, mas com destaque para os percentuais de exames positivos relativos a cada vírus. Nessa visualização está a frequência de cada um dos vírus circulantes.
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Na última semana analisada (SE 29), entre os exames positivos em painéis que detectam os quatro principais vírus respiratórios, houve predominância do Influenza A (49%), seguido por VSR (38%), SARS-CoV-2 (12%) e Influenza B (2%).
Em comparação com as semanas epidemiológicas anteriores, nota-se a redução da circulação de de vírus respiratórios, sendo o Influenza A e VSR os mais frequentes, principalmente na faixa etária de 0 a 4 anos. No entanto, observamos o início do aumento de casos de SARS-CoV-2 (covid).
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O VSR ainda é o mais frequente nas crianças de 0 a 4 anos e foi detectado em 63% das infecções respiratórias na última semana analisada. Nas demais faixas etárias, a maior circulação é do Influenza A, que responde a pelo menos 33% do total das infecções.
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Embora ainda não haja padrão sazonal definido para surtos de covid-19 no Brasil, a positividade apresentou oscilações semelhantes nos últimos dois anos. Em 2025, o pico ocorreu em fevereiro (SE 7) com 24%, seguido de queda até 1% em junho (SE 24). Nas últimas quatro semanas (SE 26 a 29), a positividade voltou a subir, passando de 2% para 4%.
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Para os gráficos abaixo foram utilizadas duas fontes de dados: exames de laboratórios parceiros e dados de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe). Os dados públicos de Srag foram coletados em 22/07 no OpenDataSUS.
É possível observar a seguir uma série temporal do número bruto de casos de Srag causados por SARS-CoV-2 comparada com a positividade para o vírus. O percentual de positividade calculado com dados de laboratórios parceiros tem se mostrado um indicador estratégico e oportuno por revelar com antecipação o início de surtos virais.
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Com base em mais de três anos de análises, é possível afirmar que a positividade indica com mais rapidez aumentos nas infecções, que, após algumas semanas, resultam em aumentos de casos graves pelo país.
Esse cenário está ocorrendo atualmente. O gráfico acima aponta que a positividade para o SARS-CoV-2, segundo os dados dos laboratórios parceiros, está aumentando novamente nas últimas quatro semanas, enquanto que os dados públicos ainda não expressam o incremento de casos.
Nota-se, nas últimas semanas, o aumento da circulação do SARS-CoV-2 nas faixas etárias de 30 a 39 anos (7%), 10 a 19 anos (6%) e de 50 a 59 anos (5%), representadas pela transição dos tons de azul escuro para azul claro.
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De maneira cumulativa, desde junho do ano passado, é possível observar no mapa abaixo casos de covid-19 em todo território nacional. Com base em dados dos laboratórios parceiros, nota-se que as Unidades Federativas (UFs) de São Paulo (226 casos), Distrito Federal (97 casos) e Rio de Janeiro (55 casos) possuem as maiores quantidades de exames positivos acumulados desde a SE 24 (encerrada em 14/6/2025), quando a positividade começou a aumentar.
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No gráfico a seguir há um recorte da positividade para SARS-CoV-2, em algumas UFs e SE. O vírus está sendo detectado em diferentes estados monitorados, porém, a positividade ficou em patamares abaixo de 4% na última semana.
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Até 2019, as infecções pelo Influenza A e outros vírus respiratórios no Brasil se concentravam principalmente no inverno, entre junho e setembro, como mostram os dados históricos da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). No entanto, com o isolamento imposto pela pandemia de covid-19, esse padrão se modificou nos últimos anos.
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A positividade para o vírus Influenza A cresceu de forma progressiva e atingiu sua segunda maior positividade dos últimos dois anos na SE 20 (17/5) quando atingiu 31%. No entanto, após período de queda, chegou a 7% de positividade na última semana (SE 29).
Entre 2022 e 2025 foram registrados ao menos cinco períodos de surtos de Influenza A. Em agosto de 2022 (SE 38, encerrada em 24/9/2022), foi observado o maior patamar de positividade dos últimos anos (42%). E, recentemente, em maio de 2025, a circulação do vírus atingiu o segundo maior patamar, com 31% de resultados positivos.
O gráfico a seguir mostra uma comparação entre os dados dos nossos parceiros, representados pela linha azul, com os dados públicos de casos graves (Srag) derivados de infecções por Influenza A entre 2022 e 2025, representados abaixo pelas barras coloridas. Observa-se que em ambos os cenários as tendências são similares, porém a positividade é o primeiro indicador a sofrer alteração se comparado com os dados brutos de Srag.
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Após o período de baixa circulação do vírus Influenza A entre os meses de outubro (SE 41, encerrada em 12/10/2024) e novembro (SE 48, encerrada em 30/11/2024), houve, a partir de meados de dezembro, aumentos da positividade em praticamente todas as faixas etárias, podendo ser observado pelos tons mais quentes no gráfico.
Houve queda na circulação do Influenza A desde o final de junho, justamente quando entramos nos meses mais frios do ano, fato que evidencia alterações na sazonalidade comumente observada até 2019 (pré-pandemia). Na última semana (SE 29), a faixa etária mais acometida pelo vírus foi de 5 a 9 (11%), seguida dos idosos de 60 a 69 anos (9%) e 30 a 39 anos (9%) .
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O Influenza B tem circulado de forma contínua nos últimos anos, ainda que com baixa positividade em alguns períodos (<1%). No entanto, em 2024, entre maio (SE 21, encerrada em 25/5/2024) e setembro (SE 39, encerrada em 28/9/2024), o percentual de exames positivos aumentou de 0,5% para 21% – o maior dos últimos três anos. Na última semana (SE 29), o percentual foi menor que 1%.
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Nos últimos anos, o vírus do tipo B, assim como o Influenza A, causou surtos em períodos incomuns, como no verão de 2023 e na primavera de 2024. Esses desvios de sazonalidade resultam em uma maior imprevisibilidade dos surtos, fato que torna o cenário epidemiológico mais desafiador para o planejamento das campanhas de vacinação.
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Partindo da SE 27 (encerrada em 6/7/2024), é possível observar acima como foi repentino os aumentos da positividade e, por consequência, dos casos graves de Influenza B. Nos últimos surtos de 2024, a positividade foi mais alta nas faixas etárias de 5 a 19 anos, com auge entre a SE 36 (encerrada em 7/9/2024) e a SE 41 (encerrada em 12/10/2024). Nesse período, a positividade alcançou 44% na faixa etária de 10 a 19 anos. De outubro até a última semana analisada neste ano (SE 29), a positividade caiu a patamares abaixo de 1% em todas as faixas etárias.
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Entre os vírus respiratórios analisados pelo ITpS, o VSR foi o único que apresentou uma dinâmica mais sazonal, embora destoe do padrão recorrente, que até 2019, se dava no inverno. O VSR atingiu na SE 17, encerrada em 26/4, a maior positividade dos últimos três anos para o período: 22%. Atualmente, encontra-se em cenário de redução com 6% de positividade.
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O gráfico a seguir mostra a positividade para o VSR em comparação aos casos graves de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) causados pelo mesmo vírus. As curvas de ambas as variáveis seguiram tendências muito similares, sendo que a positividade cresceu de forma antecipada em relação a aumentos visíveis de casos de Srag. As análises do ITpS indicam que os casos caíram, assim como osgraves, segundo os dados públicos.
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Além dos quatro patógenos citados, alguns testes detectam simultaneamente um outro conjunto de vírus nas amostras – Rinovírus, Enterovírus, Metapneumovírus, Vírus Parainfluenza, Bocavírus, Coronavírus sazonais e Adenovírus –, além de bactérias dos gêneros Bordetella, Mycoplasma e Chlamydophila.
Na SE 29, dentre os patógenos respiratórios identificados nesse tipo de exame mais amplo, as maiores positividades foram registradas para: Rinovírus (32%), coronavírus sazonais (11%), Adenovírus (7%), bactérias dos gêneros Bordetella, Metapneumovírus (3%).
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Menos frequentes, esses exames também detectam os quatro principais vírus citados na seção 1, também apresentados aqui em caráter comparativo de frequência. Na última semana epidemiológica, houve redução no número de infecções por patógenos respiratórios.
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O Rinovírus esteve presente em pelo menos 40% dos exames realizados na última SE. Em ordem de frequência, neste mesmo período, as outras infecções foram causadas por Influenza A (14%), coronavírus sazonais (12%), VSR (10%) e Adenovírus (10%).
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Como muitos desses patógenos impactam a saúde de crianças, esses exames de painel amplo são de duas a três vezes mais usados na faixa etária de 0 a 4 anos. Por essa razão, observa-se aí uma concentração maior de exames positivos.
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Na última semana analisada, nesses exames de painel mais amplos, que dão um panorama mais preciso do que circula entre crianças de 0 a 4 anos, houve predominância de infecções por Rinovírus (40%), coronavírus sazonais (13%) e VSR (10%).
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Atenção aos sintomas respiratórios. Enquanto a positividade para SARS-CoV-2 começa a aumentar, os vírus Influenza A e VSR neste momento ainda seguem entre os vírus respiratórios de maior prevalência, e afetam a saúde dos mais vulneráveis. O Programa Nacional de Imunizações (PNI), com mais de meio século de sucesso, disponibiliza vacinas que reduzem as chances de casos graves e hospitalizações por covid-19 e gripe. Vacine-se!
O ITpS agradece aos laboratórios parceiros Dasa, DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Hospital Israelita Albert Einstein, Sabin e Target, que, semanalmente, nos forneceram dados de exames diagnósticos (RT-PCR, Flow Chip e antígeno) para a compreensão do atual cenário epidemiológico.