Cenário epidemiológico | Influenza A | Influenza B | SARS-CoV-2 | VSR | Outros patógenos | Mensagens finais
A positividade para influenza B mantém tendência de alta há 14 semanas. Na Semana Epidemiológica (SE) 50 (encerrada em 13/12) apresentou positividade de 4%, contrastando com a queda observada para SARS-CoV-2 (11%) e influenza A (7%). Embora o subtipo H3N2 predomine nos casos de influenza A, a nova variante do subclado K (J.2.4.1), que apresenta rápida expansão global, registra pouca circulação no Brasil. Segundo relatórios recentes da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS), esta variante, popularmente denominada de "gripe K", não está associada à maior gravidade clínica e nem à vacinação permanente eficaz, especialmente contra o agravamento da doença.
As análises são do Instituto Todos pela Saúde (ITpS), com dados de exames feitos até 13/12/2025 pelos laboratórios parceiros Dasa, DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Hospital Israelita Albert Einstein, Sabin e Target. Desde dezembro de 2021, o ITpS já analisou 5.985.908 resultados de exames que detectam diferentes patógenos respiratórios.
Apesar do aumento dos testes positivos para o vírus influenza B na SE 50, apenas 7% dos exames realizados tiveram resultado positivo para algum patógeno respiratório (linha amarela abaixo).
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As séries temporais abaixo informam os percentuais de exames positivos (positividade) para os vírus de maior relevância em saúde pública. No gráfico, as linhas ascendentes ao longo de semanas indicam surtos pelo país e as descendentes, o arrefecimento.
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Para fins de comparação entre os principais patógenos respiratórios circulantes, os quatro próximos gráficos consideram somente resultados de painéis virais, exames capazes de detectar simultaneamente os vírus SARS-CoV-2, influenza A, influenza B e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Abaixo estão os números absolutos de exames positivos por vírus, de acordo com a semana epidemiológica. É possível interagir com o gráfico passando o cursor do mouse sobre os elementos para obter informações adicionais ou clicando sobre os retângulos coloridos na legenda para incluir ou remover dados de vírus específicos.
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Assim como em 2024, os vírus VSR e influenza A apresentaram circulação concomitante em 2025, com aumento dos casos a partir de março e picos em abril e maio, respectivamente. Entre as semanas epidemiológicas 31 e 36 (encerradas em 2/8 e 6/9, respectivamente), o SARS-CoV-2 foi o vírus respiratório predominante. A partir da SE 37 (encerrada em 13/9), o influenza A foi o patógeno com o maior número de testes positivos e ainda é o vírus respiratório de maior circulação, apesar do cenário de queda.
A seguir, é possível observar os mesmos dados apresentados acima, mas com destaque para os percentuais de exames positivos relativos a cada vírus. Nessa visualização está a frequência de cada um dos vírus circulantes.
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Na última semana analisada (SE 50), entre os exames positivos em painéis que detectam os quatro principais vírus respiratórios, houve predominância de influenza A (49%), seguido por SARS-CoV-2 (31%), influenza B (18%) e Vírus Sincicial Respiratório (3%).
De forma geral, nota-se a redução da circulação de vírus respiratórios em comparação com as semanas epidemiológicas anteriores. No entanto, observamos um aumento contínuo de infecções por influenza B.
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Há várias semanas, o VSR deixou de ser o vírus respiratório mais frequente em crianças de 0 a 4 anos. O vírus mais detectado nessa faixa etária na SE 50 foi influenza A (38%) e SARS-CoV-2 (38%), seguido pelo influenza B (15%). Ainda em relação à última semana epidemiológica analisada, de maneira geral, o influenza A e SARS-CoV-2 também são os vírus mais prevalentes nas faixas etárias de 20 a 29 anos e de 50 a 80+ anos.
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Até 2019, as infecções pelo Influenza A e outros vírus respiratórios no Brasil se concentravam principalmente no inverno, entre junho e setembro, como mostram os dados históricos da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). No entanto, com o isolamento imposto pela pandemia de covid-19, esse padrão se modificou nos últimos anos.
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O ano de 2025 teve dois momentos de alta porcentagem de testes positivos para o vírus influenza A: o primeiro em maio (SE 20) com percentual de positivos de 31% e o segundo em novembro (SE 45) com 23%. A positividade atingiu 11% na SE 50, menor percentual nas últimas cinco semanas.
Entre 2022 e 2025 foram registrados ao menos cinco períodos de surtos de influenza A. Em agosto de 2022 (SE 38, encerrada em 24/9/2022), foi observado o maior patamar de positividade dos últimos anos, com positividade de 42%. O ano de 2025 também foi um ano de alta circulação, com maior positividade na SE 20 (encerrada em 17/05) com 31% de resultados positivos.
O gráfico a seguir mostra uma comparação entre os dados dos nossos parceiros, representados pela linha azul escura, com os dados públicos de casos graves (Srag) derivados de infecções por influenza A entre 2022 e 2025, representados abaixo pelas barras coloridas. Observa-se que, em ambos os cenários, as tendências são similares, porém a positividade é o primeiro indicador a sofrer alteração se comparado com os dados brutos de Srag. Os dados públicos de Srag foram coletados em 13/12 no OpenDataSUS.
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Os surtos atuais do vírus influenza A no Brasil, refletidos pelos aumentos de positividade observados desde agosto (gráfico acima), têm sido causados principalmente pelo subtipo H3N2. Uma nova variante do vírus, denominada J.2.4.1 (subclado K) tem se disseminado mundialmente, mas, no Brasil, pelo menos 4 casos já foram reportados: um no Pará e quatro no Mato Grosso do Sul. Mais informações aqui.
Em contraste ao tom alarmista de notícias recentes, segundo relatórios recentes da Opas e da Organização Mundial da Saúde (OMS), a gravidade da doença causada por variantes do subclado K não aumentou, mas a vacinação segue crucial: as vacinas atuais mantêm boa proteção contra casos graves. Segundo dados de laboratórios parceiros, os surtos atuais de influenza A têm afetado principalmente a faixa etária de 5 a 19 anos, o que é visível pelos tons mais quentes no gráfico abaixo.
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O mapa a seguir apresenta os casos acumulados de influenza A desde agosto deste ano, ajustados pela população para uma proporção de 100 mil habitantes. Conforme os dados obtidos dos laboratórios parceiros, as Unidades Federativas (UFs) que registraram o maior número de exames positivos a partir de 10/8 são: São Paulo (17), Distrito Federal (15), Goiás (5) e Santa Catarina (2).
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O influenza B tem circulado de forma contínua nos últimos anos, ainda que com baixa positividade em alguns períodos (<1%). No entanto, em 2024, entre maio (SE 21, encerrada em 25/5/2024) e setembro (SE 39, encerrada em 28/9/2024), o percentual de exames positivos aumentou de 0,5% para 21% – o maior dos últimos três anos. Em 2025, até o momento, a maior positividade ocorreu em janeiro, na SE 2 (encerrada em 17/1) e recentemente, na última semana (SE 50), com uma taxa de testes positivos de 4%.
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Nos últimos anos, o vírus do tipo B, assim como o influenza A, causou surtos em períodos incomuns, como no verão de 2023 e na primavera de 2024. Esses desvios de sazonalidade resultam em uma maior imprevisibilidade dos surtos, fato que torna o cenário epidemiológico mais desafiador para o planejamento das campanhas de vacinação.
O gráfico a seguir mostra dados dos nossos parceiros, representados pela linha azul, com os dados públicos de casos graves (Srag) derivados de infecções por influenza B entre 2022 e 2025, representados abaixo pelas barras coloridas. Observa-se que, em ambos os cenários, as tendências são similares, porém a positividade é o primeiro indicador a sofrer alteração se comparado com os dados brutos de Srag.
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Em 2025, os picos de positividade (acima de 5%) entre as faixas etárias ocorreram nos meses de janeiro e fevereiro, repetindo-se recentemente a partir da SE 44 (encerrada em 1/11). Na última semana (SE 50), a faixa etária mais afetada foi a de 5 a 19 anos (10%).
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O mapa a seguir ilustra a distribuição dos exames positivos para o vírus influenza B em estados e municípios brasileiros. Os números mostrados são cumulativos desde 13/09/2025, quando os dados apontaram o início do aumento da positividade. O número de positivos está normalizado em proporção a 100 mil habitantes de estados e municípios.
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Desde o início do aumento da positividade, as Unidades Federativas (UFs) de São Paulo (2), Santa Catarina (0.45), Pernambuco (0.21), Goiás (0.14) e Distrito Federal (0.13) foram as que apresentaram, cumulativamente, o maior número de exames positivos para influenza B por 100 mil habitantes entre os laboratórios parceiros.
Embora ainda não haja padrão sazonal definido para surtos de covid-19 no Brasil, a positividade apresentou oscilações semelhantes nos últimos dois anos. Em 2025, o primeiro pico ocorreu em fevereiro (SE 7, encerrada em 15/2), com 24%, seguido de queda até junho (SE 24, encerrada em 14/6). A partir da SE 25 (encerrada em 21/06) houve um aumento crescente da positividade até atingir o segundo pico na SE 35 (encerrada 30/08) com 16%. Atualmente, na SE 50, a positividade é de 7%.
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Para os gráficos abaixo foram utilizadas duas fontes de dados: exames de laboratórios parceiros e dados de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe). Os dados públicos de Srag foram coletados em 13/12 no OpenDataSUS.
É possível observar a seguir uma série temporal do número bruto de casos de Srag causados por SARS-CoV-2 comparada com a positividade para o vírus. O percentual de positividade calculado com dados de laboratórios parceiros tem se mostrado um indicador estratégico e oportuno por revelar com antecipação o início de surtos virais.
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Com base em mais de três anos de análises, é possível afirmar que a positividade indica com mais rapidez aumentos nas infecções, que, após algumas semanas, resultam em aumentos de casos graves pelo país.
Nota-se, nas últimas semanas, a redução da positividade e por consequência da circulação de SARS-CoV-2 em quase todas as faixas etárias, principalmente de 0 a 4 anos, representadas pela transição dos tons de azul claro para azul escuro.
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O mapa abaixo mostra os casos acumulados de covid-19 detectados por laboratórios parceiros em território nacional, normalizado em proporção às populações estaduais e municipais. Com base nos dados dos laboratórios parceiros, as Unidades Federativas (UFs) com maior número de exames positivos por 100 mil habitantes, acumulados desde a SE 24 (encerrada em 14/6) foram: Distrito Federal (76), Goiás (16), São Paulo (9), Minas Gerais e Santa Catarina (6).
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No gráfico abaixo é possível observar que nas últimas semanas, de maneira geral, as UFs acompanham o cenário de queda da positividade para SARS-CoV-2. Todos os estados apresentaram taxas abaixo de 10%, na última semana (SE 50), com exceção de Minas Gerais que atingiu uma positividade de 15%.
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Entre os vírus respiratórios analisados pelo ITpS, o VSR foi o único que apresentou uma dinâmica mais sazonal, embora destoe do padrão recorrente, que até 2019 se dava no inverno. Em 2025, atingiu na SE 17 (encerrada em 26/4) a maior positividade dos últimos três anos para o período: 22%. Desde a SE 35 (encerrada em 30/8) a positividade gira em torno de 1%.
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O gráfico a seguir mostra a positividade para o VSR em comparação aos casos graves de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) causados pelo mesmo vírus. As curvas de ambas as variáveis seguiram tendências muito similares, sendo que a positividade cresceu de forma antecipada em relação a aumentos visíveis de casos de Srag.
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Além dos quatro patógenos citados, alguns testes detectam simultaneamente um outro conjunto de vírus nas amostras – rinovírus, enterovírus, metapneumovírus, vírus parainfluenza, bocavírus, coronavírus sazonais e adenovírus –, além de bactérias dos gêneros Bordetella, Mycoplasma e Chlamydophila.
Na SE 50, dentre os patógenos respiratórios identificados nesse tipo de exame mais amplo, as maiores positividades foram registradas para: rinovírus (23%), adenovírus (13%), vírus parainfluenza (12%), metapneumovírus (7%) e coronavírus sazonais (5%).
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Menos frequentes, esses exames também detectam os quatro principais vírus citados na seção 1, também apresentados aqui em caráter comparativo de frequência.
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O rinovírus esteve presente em pelo menos 31% dos exames realizados na última SE. Em ordem de frequência, neste mesmo período, as outras infecções foram causadas por adenovírus (15%), vírus parainfluenza (14%), influenza A (12%), metapneumovírus (9%), coronavírus sazonais (7%), SARS-CoV-2 (6%), enterovírus (2%), influenza B (2%) e bocavírus (1%).
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Como muitos desses patógenos impactam a saúde de crianças, esses exames de painel amplo são de duas a três vezes mais usados na faixa etária de 0 a 4 anos. Por essa razão, observa-se aí uma concentração maior de exames positivos.
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Na última semana analisada, nesses exames de painel mais amplos, que dão um panorama mais preciso do que circula entre crianças de 0 a 4 anos, houve predominância de infecções por rinovírus (36%), adenovírus (22%) e vírus parainfluenza (18%).
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Atenção aos sintomas respiratórios. A positividade para o vírus influenza A ainda está alta e a taxa para influenza B está em ascensão. Além disso, as infecções por VSR e SARS-CoV-2 seguem gerando impacto, especialmente aos grupos mais vulneráveis, mesmo que em menor frequência. O Programa Nacional de Imunizações (PNI), com mais de meio século de sucesso, disponibiliza vacinas que reduzem as chances de casos graves e hospitalizações por covid-19 e gripe. Vacine-se!
O ITpS agradece aos laboratórios parceiros Dasa, DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Hospital Israelita Albert Einstein, Sabin e Target, que, semanalmente, nos forneceram dados de exames diagnósticos (RT-PCR, Flow Chip e antígeno) para a compreensão do atual cenário epidemiológico.