Cenário epidemiológico | SARS-CoV-2 | Influenza A | Influenza B | VSR | Outros patógenos | Mensagens finais
Na Semana Epidemiológica (SE) 7 (encerrada em 21/2), a última analisada, o influenza A mantém-se como o vírus respiratório de maior circulação. Contudo, observa-se o início do aumento de casos por Vírus Sincicial Respiratório (VSR), movimento já esperado para o período e que reforça a necessidade de vigilância epidemiológica contínua.
As análises são do Instituto Todos pela Saúde (ITpS), com dados de exames feitos até 21/02/2026 pelos laboratórios parceiros Dasa, DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Einstein Hospital Israelita, Sabin e Target. Desde dezembro de 2021, o ITpS já analisou 6.058.724 resultados de exames que detectam diferentes patógenos respiratórios.
De maneira geral, 7% dos exames realizados tiveram resultado positivo para algum patógeno respiratório (linha amarela abaixo) na SE 7.
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As séries temporais abaixo informam os percentuais de exames positivos (positividade) para os vírus de maior relevância em saúde pública. No gráfico, as linhas ascendentes ao longo de semanas indicam surtos pelo país e as descendentes, o arrefecimento.
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Para fins de comparação entre os principais patógenos respiratórios circulantes, os quatro próximos gráficos consideram somente resultados de painéis virais, que são exames capazes de detectar simultaneamente os vírus SARS-CoV-2, influenza A, influenza B e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Abaixo estão os números absolutos de exames positivos por vírus, de acordo com a semana epidemiológica. É possível interagir com o gráfico passando o cursor do mouse sobre os elementos para obter informações adicionais ou clicando sobre os retângulos coloridos na legenda para incluir ou remover dados de vírus específicos.
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Os vírus VSR e influenza A apresentaram circulação concomitante em 2025, com aumento dos casos a partir de março e picos em abril e maio, respectivamente. Atualmente, há um cenário de queda na circulação dos vírus respiratórios, embora ambos ainda se destaquem entre os mais detectados.
A seguir, é possível observar os mesmos dados apresentados acima, mas com destaque para os percentuais de exames positivos relativos a cada vírus. Nessa visualização está a frequência de cada um dos vírus circulantes.
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Na Semana Epidemiológica (SE) 7, a última semana analisada, (encerrada em 21/2), entre os exames positivos em painéis que detectam os quatro principais vírus respiratórios, houve predominância de influenza A (41%), seguido por Vírus Sincicial Respiratório (30%), SARS-CoV-2 (25%) e influenza B (4%).
O VSR ainda é o mais frequente na faixa etária de 0 a 4 anos e foi detectado em 64% das infecções respiratórias na última semana analisada. Nas demais faixas etárias, a maior circulação é do influenza A, que responde a pelo menos 33% do total das infecções.
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Embora ainda não haja padrão sazonal definido para surtos de covid-19 no Brasil, a positividade apresentou oscilações semelhantes nos últimos dois anos. Em 2025, ocorreram dois picos: o primeiro ocorreu na SE 7 (encerrada em 15/2), com 24%; e o segundo na SE 35 (encerrada em 30/08) com 16%. Em 2026, na SE 7 (encerrada em 21/2), a positividade foi de 9%.
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Para os gráficos abaixo foram utilizadas duas fontes de dados: exames de laboratórios parceiros e dados de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe). Os dados públicos de Srag foram coletados em 21/2 no OpenDataSUS.
É possível observar a seguir uma série temporal do número bruto de casos de Srag causados por SARS-CoV-2 comparada com a positividade para o vírus. O percentual de positividade calculado com dados de laboratórios parceiros tem se mostrado um indicador estratégico e oportuno por revelar com antecipação o início de surtos virais.
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Com base em mais de quatro anos de análises, é possível afirmar que a positividade indica com mais rapidez aumentos nas infecções, que, após algumas semanas, resultam em aumentos de casos graves pelo país.
Nota-se, nos últimos meses, um aumento da positividade e por consequência da circulação de SARS-CoV-2 em quase todas as faixas etárias, exceto as de 0 a 9 anos, representadas pela transição dos tons de azul escuro para azul claro.
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O mapa abaixo mostra os casos acumulados de covid-19 detectados por laboratórios parceiros em território nacional, normalizado em proporção às populações estaduais e municipais. Com base nos dados, as Unidades Federativas (UFs) com maior número de exames positivos por 100 mil habitantes, acumulados desde a SE 24 de 2025 (encerrada em 14/6) foram: Distrito Federal (79), Goiás (16), São Paulo (11), Santa Catarina (7).
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No gráfico abaixo, é possível observar que, de maneira geral, cenários de aumento da positividade para SARS-CoV-2 em diferentes UFs, sendo SC a que tem hoje a maior positividade (19%).
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Até 2019, as infecções pelo influenza A e outros vírus respiratórios no Brasil se concentravam principalmente no inverno, entre junho e setembro, como mostram os dados históricos da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). No entanto, com o isolamento imposto pela pandemia de covid-19, esse padrão se modificou nos últimos anos.
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Em 2025, ocorreram dois picos da positividade para o vírus influenza A, o primeiro foi na SE 20 (encerrada em 17/5) com 31%, e o segundo atingiu 23%, na SE 45 (encerrada em 8/11). Já na SE 7, a última semana analisada em 2026, a positividade assemelha-se à do mesmo período do ano anterior, com 8%.
O gráfico a seguir mostra uma comparação entre os dados dos nossos parceiros, representados pela linha azul escura, com os dados públicos de casos graves (Srag) derivados de infecções por influenza A entre 2022 e 2026, representados pelas barras coloridas. Observa-se que, em ambos os cenários, as tendências são similares, porém a positividade é o primeiro indicador a sofrer alteração se comparado com os dados brutos de Srag. Os dados públicos de Srag foram coletados em 21/2 no OpenDataSUS.
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Em 2025, houve um aumento da positividade entre os meses de abril (SE 15, encerrada em 12/4) e junho (SE 25, encerrada em 21/6) em praticamente todas as faixas etárias. Após breve período de queda, um segundo aumento pode ser percebido de forma mais evidente a partir da SE 36 (encerrada em 6/9), atingindo, principalmente, a faixa etária de 5 a 19 anos, o que é visível pelos tons mais quentes no gráfico.
Importante destacar que a queda observada no final de junho ocorreu, justamente, quando o país entrou nos meses mais frios do ano, fato que evidencia alterações na sazonalidade comumente observada até 2019, no período pré-pandemia. Na SE 7, a última analisada, a faixa etária mais acometida pelo vírus também foi a de 20 a 29 anos.
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O mapa a seguir apresenta os casos acumulados desde agosto de 2025, ajustados pela população para uma proporção de 100 mil habitantes. Conforme os dados obtidos dos laboratórios parceiros, as Unidades Federativas (UFs) que registraram o maior número de exames positivos a partir de 10/8 são: São Paulo (19), Distrito Federal (16), Goiás (6) e Santa Catarina (4).
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O influenza B tem circulado de forma contínua nos últimos anos, ainda que com baixa positividade, em alguns períodos (<1%). No entanto, em 2024, entre maio (SE 21, encerrada em 25/5) e setembro (SE 39, encerrada em 28/9), o percentual de exames positivos aumentou de 0,5% para 21% – o maior dos últimos três anos. Em 2025, o maior percentual de testes positivos foi de 4% em dois momentos: na SE 2 (encerrada em 11/01) e na SE 51 (encerrada em 20/12). Já em 2026, na SE 7 (encerrada em 21/2), o percentual foi de 1%.
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Nos últimos anos, o vírus do tipo B, assim como o influenza A, causou surtos em períodos incomuns, como no verão de 2023 e na primavera de 2024. Esses desvios de sazonalidade resultam em uma maior imprevisibilidade dos surtos, fato que torna o cenário epidemiológico mais desafiador para o planejamento das campanhas de vacinação.
O gráfico a seguir mostra dados dos nossos parceiros, representados pela linha azul, com os dados públicos de casos graves (Srag) derivados de infecções por influenza B entre 2022 e 2026, representados abaixo pelas barras coloridas. Observa-se que, em ambos os cenários, as tendências são similares, porém a positividade é o primeiro indicador a sofrer alteração se comparado com os dados brutos de Srag.
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Em 2025, os picos de positividade (acima de 5%) entre as diferentes faixas etárias ocorreram nos meses de janeiro e fevereiro, repetindo-se recentemente a partir da SE 44 (encerrada em 1/11). Em 2026, na SE 7, a faixa etária mais afetada foi a de 5 a 9 anos (7%).
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O mapa a seguir ilustra a distribuição dos exames positivos para o vírus influenza B em estados e municípios brasileiros. Os números mostrados são cumulativos desde 13/09/2025, quando os dados apontaram o início do aumento da positividade. O número de positivos está normalizado em proporção a 100 mil habitantes de estados e municípios.
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De acordo com os dados dos laboratórios parceiros, as Unidades Federativas (UFs) que apresentaram o maior número de exames positivos para influenza B por 100 mil habitantes, cumulativamente, foram São Paulo (3), Santa Catarina (1), Goiás (0.28), Distrito Federal (0.33) e Pernambuco (0.22).
Entre os vírus respiratórios analisados pelo ITpS, o VSR foi o único que apresentou uma dinâmica mais sazonal, embora destoe do padrão recorrente, que, até 2019, se dava no inverno. Em 2025, atingiu 22% de positividade na SE 17 (encerrada em 26/4), a maior dos últimos três anos para o período. Desde a SE 52 (encerrada em 27/12/25), a positividade gira em torno de 1%, porém, assim como nos anos anteriores, na SE 7 os casos começam a aumentar, sendo que atualmente a positividade está em 5%.
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O gráfico a seguir mostra a positividade para o VSR em comparação aos casos graves de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) causados pelo mesmo vírus. As curvas de ambas as variáveis seguiram tendências muito similares, sendo que a positividade cresceu de forma antecipada em relação a aumentos visíveis de casos de Srag.
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Além dos quatro patógenos citados, alguns testes detectam simultaneamente um outro conjunto de vírus nas amostras – rinovírus, enterovírus, metapneumovírus, vírus parainfluenza, bocavírus, coronavírus sazonais e adenovírus –, além de bactérias dos gêneros Bordetella, Mycoplasma e Chlamydophila.
Dentre os patógenos identificados nesse tipo de exame mais amplo na SE 7, a última analisada (encerrada em 21/02), as maiores positividades foram registradas para: rinovírus (19%), metapneumovírus (12%), coronavírus sazonais (7%), vírus parainfluenza (6%), adenovírus (3%) e bactérias (3%).
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Menos frequentes, esses exames também detectam os quatro principais vírus citados na seção 1, também apresentados aqui em caráter comparativo de frequência.
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O rinovírus esteve presente em pelo menos 28% dos exames realizados na SE 7. Em ordem de frequência, neste mesmo período, as outras infecções foram causadas por metapneumovírus (17%), coronavírus sazonais (11%), influenza A (9%), vírus parainfluenza (9%), VSR (9%), SARS-CoV-2 (7%), adenovírus (4%), bactérias (4%) e enterovírus (2%).
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Como muitos desses patógenos impactam a saúde de crianças, esses exames de painel amplo são de duas a três vezes mais usados na faixa etária de 0 a 4 anos. Por essa razão, observa-se uma concentração maior de exames positivos.
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Na SE 7, nesses exames de painel mais amplos, que dão um panorama mais preciso do que circula entre crianças de 0 a 4 anos, houve predominância de infecções por rinovírus (31%), metapneumovírus (19%) e VSR (13%).
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Atenção aos sintomas respiratórios. O influenza A e o SARS-CoV-2 continuam sendo os vírus respiratórios mais frequentemente identificados em testes positivos. Além deles, o VSR, que aumentou sua circulação, pode afetar a saúde dos mais vulneráveis. O Programa Nacional de Imunizações (PNI), com mais de meio século de sucesso, disponibiliza vacinas que reduzem as chances de casos graves e hospitalizações por covid-19, gripe e infecções causadas pelo VSR. Vacine-se!
O ITpS agradece aos laboratórios parceiros Dasa, DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Einstein Hospital Israelista, Sabin e Target, que, semanalmente, nos forneceram dados de exames diagnósticos (RT-PCR, Flow Chip e antígeno) para a compreensão do atual cenário epidemiológico.