Cenário epidemiológico | Influenza A | Influenza B | SARS-CoV-2 | VSR | Outros patógenos | Mensagens finais
Após quatro meses de baixa circulação, a positividade para SARS-CoV-2 (o vírus da covid-19) subiu dois pontos percentuais em quatro semanas e chegou a 3% na Semana Epidemiológica (SE) 33 (encerrada em 22/08), a última analisada. Em contrapartida, as taxas de positividade para influenza B e Vírus Sincicial Respiratório (VSR) continuam em queda, atingindo 6% e 5% no período, respectivamente. Entre os principais vírus respiratórios analisados, o influenza A apresentou a menor positividade, com 1%.
As análises são do Instituto Todos pela Saúde (ITpS), com dados de exames feitos até 22/08/2026 pelos laboratórios parceiros Dasa, DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Einstein Hospital Israelita, Sabin e Target. Desde dezembro de 2021, o ITpS já analisou 6.396.366 resultados de exames que detectam diferentes patógenos respiratórios.
O gráfico a seguir evidencia a redução no volume de testes e na positividade de testes para vírus respiratórios desde junho. Contudo, a SE 33 apresentou aumento de 1 ponto percentual na taxa de positividade em relação à SE 31 (encerrada em 8/8). No período, 4% do total de exames analisados apresentaram resultado positivo para algum patógeno (indicado pela linha amarela abaixo).
As séries temporais abaixo informam os percentuais de exames positivos (positividade) para os vírus de maior relevância em saúde pública. No gráfico, as linhas ascendentes ao longo de semanas indicam surtos pelo país e as descendentes, o arrefecimento.
Para fins de comparação entre os principais patógenos respiratórios circulantes, os quatro próximos gráficos consideram somente resultados de painéis virais, que são exames capazes de detectar simultaneamente os vírus SARS-CoV-2, influenza A, influenza B e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Abaixo estão os números absolutos de exames positivos por vírus, de acordo com a semana epidemiológica. É possível interagir com o gráfico passando o cursor do mouse sobre os elementos para obter informações adicionais ou clicando sobre os retângulos coloridos na legenda para incluir ou remover dados de vírus específicos.
Desde o fim de junho, verifica-se a redução do número de exames com resultados positivos (PCR multiplex) assim como a circulação simultânea de Vírus Sincicial Respiratório (VSR), influenza A e influenza B.
A seguir, é possível observar os mesmos dados apresentados acima, mas com destaque para os percentuais de exames positivos relativos a cada vírus. Nessa visualização está a frequência de cada um dos vírus circulantes.
Na Semana Epidemiológica (SE) 33 (encerrada em 22/8), a última semana analisada, entre os exames positivos em painéis que detectam os quatro principais vírus respiratórios, houve predominância de Vírus Sincicial Respiratório (39%), seguido por influenza B (30%), SARS-CoV-2 (20%) e influenza A (11%).
Ainda levando em consideração os resultados de painéis virais, que podem detectar simultaneamente os quatro principais vírus respiratórios, o VSR permanece como o vírus mais frequente na faixa etária de 0 a 4 anos, detectado em 69% das infecções respiratórias na última semana analisada. Destaca-se também a circulação de influenza B, que acometeu principalmente as faixas etárias de 10 a 19 anos e de 40 a 49 anos, correspondendo a 75% e 100% das infecções, respectivamente.
Embora ainda não haja um padrão sazonal definido para surtos de covid-19 no Brasil, a positividade apresentou oscilações semelhantes nos últimos dois anos. Em 2025, ocorreram dois picos: o primeiro na Semana Epidemiológica (SE) 7 (encerrada em 15/2), com 24%, e o segundo na SE 35 (encerrada em 30/8), com 16%. Este ano, o primeiro pico ocorreu na SE 6 (encerrada em 14/2). Nas últimas quatro semanas, a positividade para SARS-CoV-2 subiu dois pontos percentuais, atingindo 3% na SE 33 (encerrada em 22/8), a última analisada.
Para os gráficos abaixo foram utilizadas duas fontes de dados: exames de laboratórios parceiros e dados de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe). Os dados públicos de Srag foram coletados em 22/8 no OpenDataSUS.
É possível observar a seguir uma série temporal do número bruto de casos de Srag causados por SARS-CoV-2 comparada com a positividade para o vírus. O percentual de positividade calculado com dados de laboratórios parceiros tem se mostrado um indicador estratégico e oportuno por revelar com antecipação o início de surtos virais.
Com base em mais de quatro anos de análises, é possível afirmar que a positividade indica com mais rapidez aumentos nas infecções, que, após algumas semanas, resultam em aumentos de casos graves pelo país.
No gráfico abaixo, nota-se, desde março, a redução da positividade e por consequência da circulação de SARS-CoV-2 na maioria das faixas etárias, representadas pela transição dos tons de azul claro para azul escuro.
Na última semana, é possível observar também o aumento da circulação do vírus em algumas faixas etárias, representado pela transição dos tons de azul escuro para azul claro. Tanto a de 30 a 39 como a de 60 a 69 anos atingiram 5% de positividade. Já a de 40 a 49 anos apresentou 6%.
No gráfico abaixo, é possível observar que, de maneira geral, as Unidades Federativas (UFs) acompanham o cenário de baixa positividade para SARS-CoV-2. Porém, é importante destacar o aumento da positividade para algumas UFs na última semana. Goiás encerrou a SE 33 com positividade de 7% e o Distrito Federal com 6%.
Até 2019, as infecções pelo influenza A e outros vírus respiratórios no Brasil se concentravam principalmente no inverno, entre junho e setembro, como mostram os dados históricos da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). No entanto, com o isolamento imposto pela pandemia de covid-19, esse padrão se modificou nos últimos anos.
Em 2025, foram observados dois picos de positividade para esse vírus. O primeiro ocorreu na Semana Epidemiológica (SE) 20 (encerrada em 17/5), quando a positividade atingiu 31%. O segundo foi registrado na SE 45 (encerrada em 8/11), com 23%. Este ano, a maior positividade foi atingida na SE 13 (encerrada em 4/4) e atualmente, na última semana analisada, a SE 33 (encerrada em 22/8), a positividade é de 1%.
O gráfico a seguir mostra uma comparação entre os dados dos nossos parceiros, representados pela linha azul escura, com os dados públicos de casos graves (Srag) derivados de infecções por influenza A entre 2022 e 2026, representados pelas barras coloridas. Observa-se que, em ambos os cenários, as tendências são similares, porém a positividade é o primeiro indicador a sofrer alteração se comparado com os dados brutos de Srag. Os dados públicos de Srag foram coletados em 22/8 no OpenDataSUS.
No gráfico abaixo, entre março e maio deste ano, observa-se a concentração de testes positivos entre pessoas de 5 a 29 anos, evidenciado pelos tons mais quentes no gráfico. Atualmente, na SE 33, a faixa etária mais acometida pelo vírus foi a de 50 a 59 anos, com 4% de positividade.
O mapa a seguir apresenta os casos acumulados desde fevereiro de 2026, ajustados pela população para uma proporção de 100 mil habitantes. Conforme os dados obtidos dos laboratórios parceiros, as Unidades Federativas (UFs) que registraram o maior número de exames positivos a partir de 8/2 são: São Paulo (21,2), Santa Catarina (13,9), Distrito Federal (7,5) e Goiás (5,1).
O influenza B tem circulado de forma contínua nos últimos anos, ainda que com baixa positividade em alguns períodos (<1%). No entanto, em 2024, entre a Semana Epidemiológica (SE) 21 (encerrada em 25/5) e a SE 39 (encerrada em 28/9), o percentual de exames positivos aumentou de 0,5% para 21% – o maior dos últimos três anos. Em 2025, o maior percentual de testes positivos foi 4%, observado em dois momentos: na SE 2 (encerrada em 11/1) e na SE 51 (encerrada em 20/12).
Já em 2026, o percentual de testes positivos apresentou alta entre março e julho. Esse comportamento atípico neste período do ano, em comparação aos quatro anos anteriores, reforça a ausência de um padrão sazonal bem definido para o vírus. Atualmente, a positividade recuou dois pontos percentuais em duas semanas, atingindo 6% na SE 33 (encerrada em 22/8), a última analisada.
Nos últimos anos, o vírus do tipo B, assim como o influenza A, causou surtos em períodos incomuns, como no verão de 2023 e na primavera de 2024. Esses desvios de sazonalidade resultam em uma maior imprevisibilidade dos surtos, fato que torna o cenário epidemiológico mais desafiador para o planejamento das campanhas de vacinação.
O gráfico a seguir mostra dados dos nossos parceiros, representados pela linha azul, com os dados públicos de casos graves (Srag) derivados de infecções por influenza B entre 2022 e 2026, representados abaixo pelas barras coloridas. Observa-se que, em ambos os cenários, as tendências são similares, porém a positividade é o primeiro indicador a sofrer alteração se comparado com os dados brutos de Srag.
Em 2025, os picos de positividade (acima de 5%) entre as diferentes faixas etárias ocorreram no início do ano nos meses de janeiro e fevereiro e no fim do ano, em novembro e dezembro. Em 2026, na SE 33, a faixa etária mais afetada foi a de 5 a 9 anos, com 11% de positividade.
O mapa a seguir ilustra a distribuição dos exames positivos para o vírus influenza B em estados e municípios brasileiros. Os números mostrados são cumulativos desde 1/3/2026, quando os dados apontaram o início do aumento da positividade. O número de positivos está normalizado em proporção a 100 mil habitantes de unidades federativas e municípios.
De acordo com os dados dos laboratórios parceiros, as Unidades Federativas (UFs) que apresentaram o maior número de exames positivos para influenza B por 100 mil habitantes, cumulativamente, foram São Paulo (17,2), Santa Catarina (10,9), Distrito Federal (10,6) e Goiás (4,8).
Entre os vírus respiratórios analisados pelo ITpS, o VSR foi o único que apresentou uma dinâmica mais sazonal, embora destoe do padrão recorrente, que, até 2019, se dava no inverno. Em 2025, atingiu 22% de positividade na Semana Epidemiológica (SE) 17 (encerrada em 26/4), a maior dos últimos três anos para o período.
Em 2026, a positividade para VSR cresceu a partir da SE 4 (encerrada em 31/1) e atingiu o pico de 17% na SE 26 (encerrada em 4/7). Após esse período, o índice entrou em queda, chegando a 5% na última semana analisada, a SE 33 (encerrada 22/8).
O gráfico a seguir mostra a positividade para o VSR em comparação aos casos graves de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) causados pelo mesmo vírus. As curvas de ambas as variáveis seguiram tendências muito similares, sendo que a positividade cresceu de forma antecipada em relação a aumentos visíveis de casos de Srag.
O mapa a seguir apresenta os casos acumulados desde janeiro de 2026, ajustados pela população para uma proporção de 100 mil habitantes. Conforme os dados obtidos dos laboratórios parceiros, as Unidades Federativas (UFs) que registraram o maior número de exames positivos são: Goiás (6,5), São Paulo (4,3), Distrito Federal (2,7) e Amapá (1,3).
Além dos quatro patógenos citados, alguns testes detectam simultaneamente um outro conjunto de vírus nas amostras – rinovírus, enterovírus, metapneumovírus, vírus parainfluenza, bocavírus, coronavírus sazonais e adenovírus –, além de bactérias dos gêneros Bordetella, Mycoplasma e Chlamydophila.
Dentre os patógenos identificados nesse tipo de exame mais amplo na Semana Epidemiológica (SE) 33, a última analisada (encerrada em 22/8), as maiores positividades foram registradas para: rinovírus (37%), coronavírus sazonais (16%), bactérias (9%), vírus parainfluenza (5%), adenovírus (3%), metapneumovírus (1%).
Menos frequentes, esses exames também detectam os quatro principais vírus citados na seção 1, também apresentados aqui em caráter comparativo de frequência.
O rinovírus esteve presente em pelo menos 44% dos exames realizados na SE 33. Em ordem de frequência, neste mesmo período, as outras infecções foram causadas por coronavírus sazonais (19%), bactérias (11%), vírus parainfluenza (6%), Vírus Sincicial Respiratório (6%), influenza B (4%), adenovírus (4%), SARS-CoV-2 (3%), influenza A (1%) e metapneumovírus (1%).
Como muitos desses patógenos impactam a saúde de crianças, esses exames de painel amplo são de duas a três vezes mais usados na faixa etária de 0 a 4 anos. Por essa razão, observa-se uma concentração maior de exames positivos.
Na SE 33, nesses exames de painel mais amplos, que dão um panorama mais preciso do que circula entre crianças de 0 a 4 anos, houve predominância de infecções por rinovírus (38%), coronavírus sazonais (31%), vírus parainfluenza (12%), adenovírus (8%) e bactérias (8%).
Atenção aos sintomas respiratórios. O influenza B e o VSR continuam sendo os vírus respiratórios mais frequentemente identificados entre os testes positivos. Além disso, as infecções por SARS-CoV-2 estão aumentando. Esses vírus continuam circulando e afetando a saúde dos mais vulneráveis. O Programa Nacional de Imunizações (PNI), com mais de meio século de sucesso, disponibiliza vacinas que reduzem as chances de casos graves e hospitalizações por covid-19, gripe e por infecções pelo VSR. Vacine-se!
O ITpS agradece aos laboratórios parceiros Dasa, DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Einstein Hospital Israelista, Sabin e Target, que, semanalmente, nos forneceram dados de exames diagnósticos (RT-PCR, Flow Chip e antígeno) para a compreensão do atual cenário epidemiológico.