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A positividade dos quatro principais vírus respiratórios está abaixo de 5% na última Semana Epidemiológica (SE) 37 (encerrada em 19/9). Nessa semana, o vírus influenza B apresentou a maior taxa de testes positivos, de aproximadamente 5%, seguido pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e pelo SARS-CoV-2 (covid-19), ambos com 3%, enquanto o influenza A apresentou a menor positividade, com 1%.
As análises são do Instituto Todos pela Saúde (ITpS), com dados de exames feitos até 19/09/2026 pelos laboratórios parceiros Dasa, DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Einstein Hospital Israelita, Sabin e Target. Desde dezembro de 2021, o ITpS já analisou 6.416.229 resultados de exames que detectam diferentes patógenos respiratórios.
De maneira geral, o gráfico a seguir evidencia a redução tanto do número de testes realizados quanto da positividade para vírus respiratórios. Entre os exames analisados, 4% apresentaram resultado positivo para algum patógeno respiratório (linha amarela abaixo).
As séries temporais abaixo informam os percentuais de exames positivos (positividade) para os vírus de maior relevância em saúde pública. No gráfico, as linhas ascendentes ao longo de semanas indicam surtos pelo país, e as descendentes, o arrefecimento.
Para fins de comparação entre os principais patógenos respiratórios circulantes, os quatro próximos gráficos consideram somente resultados de painéis virais, que são exames capazes de detectar simultaneamente os vírus SARS-CoV-2, influenza A, influenza B e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).
Abaixo estão os números absolutos de exames positivos por vírus, de acordo com a semana epidemiológica. É possível interagir com o gráfico passando o cursor do mouse sobre os elementos para obter informações adicionais ou clicando sobre os retângulos coloridos na legenda para incluir ou remover dados de vírus específicos.
Em 2025, observou-se a circulação simultânea do Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e do vírus influenza A. Em 2026, o influenza B também passou a circular de forma concomitante a eles. Atualmente, nota-se uma redução nos casos positivos para todos os principais vírus respiratórios.
A seguir, é possível observar os mesmos dados apresentados acima, mas com destaque para os percentuais de exames positivos relativos a cada vírus. Nessa visualização está a frequência de cada um dos vírus circulantes.
Na Semana Epidemiológica (SE) 37, a última semana analisada (encerrada em 19/9), entre os exames positivos em painéis que detectam os quatro principais vírus respiratórios, houve predominância de influenza B (50%), seguido por Vírus Sincicial Respiratório (33%), influenza A (17%) e SARS-CoV-2 (0%).
O VSR é um vírus muito frequente na faixa etária de 0 a 4 anos, detectado em 50% das infecções respiratórias na última semana analisada. Destaca-se também a circulação de influenza B, que acometeu principalmente as faixas etárias de 5 a 9 anos e de 40 a 49 anos, correspondendo a 67% e 100% das infecções, respectivamente.
Embora ainda não haja um padrão sazonal definido para surtos de covid-19 no Brasil, a positividade apresentou oscilações semelhantes nos últimos dois anos. Em 2025, ocorreram dois picos: o primeiro na Semana Epidemiológica (SE) 7 (encerrada em 15/2), com 24%, e o segundo na SE 35 (encerrada em 30/8), com 16%. Já em 2026, o primeiro pico ocorreu na SE 6 (encerrada em 14/2). Desde a SE 29 (encerrada em 25/7), a positividade para SARS-CoV-2 indicava uma tendência de aumento. Contudo, na última semana analisada (SE 37, encerrada em 19/9), a taxa de testes positivos recuou cerca de 2 pontos percentuais em relação à semana anterior, passando de 5% para 3%.
Para os gráficos abaixo foram utilizadas duas fontes de dados: exames de laboratórios parceiros e dados de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) do Sistema de Informação da Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep-Gripe). Os dados públicos de Srag foram coletados em 19/9 no OpenDataSUS.
É possível observar a seguir uma série temporal do número bruto de casos de Srag causados por SARS-CoV-2 comparada com a positividade para o vírus. O percentual de positividade calculado com dados de laboratórios parceiros tem se mostrado um indicador estratégico e oportuno por revelar com antecipação o início de surtos virais.
Com base em mais de quatro anos de análises, é possível afirmar que a positividade indica com mais rapidez aumentos nas infecções, que, após algumas semanas, resultam em aumentos de casos graves pelo país.
Nota-se, a partir da SE 33 (encerrada em 22/8), aumento da positividade e, por consequência, da circulação de SARS-CoV-2 em algumas faixas etárias, representadas pela transição dos tons azul escuro para azul claro.
No gráfico abaixo, é possível observar que, de maneira geral, as Unidades Federativas (UFs) acompanham o cenário de baixa positividade para SARS-CoV-2. Todos os estados, com dados disponíveis, apresentaram taxas abaixo de 5% na SE 37, com exceção de Distrito Federal e Goiás, que apresentaram 6% e 7%, respectivamente.
Até 2019, as infecções pelo influenza A e outros vírus respiratórios no Brasil se concentravam principalmente no inverno, entre junho e setembro, como mostram os dados históricos da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas). No entanto, com o isolamento imposto pela pandemia de covid-19, esse padrão se modificou nos últimos anos.
Em 2025, foram observados dois picos de positividade para esse vírus. O primeiro ocorreu na Semana Epidemiológica (SE) 20 (encerrada em 17/5), quando a positividade atingiu 31%. O segundo foi registrado na SE 45 (encerrada em 8/11), com 23%. Em 2026, a maior positividade foi atingida na SE 13 (encerrada em 4/4). Atualmente, na última semana analisada, a SE 37 (encerrada em 19/9), a positividade é de 1%.
O gráfico a seguir mostra uma comparação entre os dados dos nossos parceiros, representados pela linha azul escura, com os dados públicos de casos graves (Srag) derivados de infecções por influenza A entre 2022 e 2026, representados pelas barras coloridas. Observa-se que, em ambos os cenários, as tendências são similares, porém a positividade é o primeiro indicador a sofrer alteração se comparado com os dados brutos de Srag. Os dados públicos de Srag foram coletados em 19/9 no OpenDataSUS.
No gráfico a seguir, nota-se que, entre março e maio deste ano, os testes positivos se concentraram principalmente na faixa etária de 5 a 29 anos, representada pelos tons mais quentes. Na SE 37, no entanto, todas as faixas etárias registraram positividade de 1% ou menor.
O influenza B tem circulado de forma contínua nos últimos anos, ainda que com baixa positividade em alguns períodos (<1%). No entanto, em 2024, entre a Semana Epidemiológica (SE) 21 (encerrada em 25/5) e a SE 39 (encerrada em 28/9), o percentual de exames positivos aumentou de 0,5% para 21% – o maior dos últimos três anos. Em 2025, o maior percentual de testes positivos foi 4%, observado em dois momentos: na SE 2 (encerrada em 11/1) e na SE 51 (encerrada em 20/12).
Já em 2026, o percentual de testes positivos apresentou alta entre março e julho. Esse comportamento atípico neste período do ano, em comparação aos quatro anos anteriores, reforça a ausência de um padrão sazonal bem definido para o vírus. Atualmente, a positividade é de 5% na SE 37 (encerrada em 19/9), a última analisada.
Nos últimos anos, o vírus do tipo B, assim como o influenza A, causou surtos em períodos incomuns, como no verão de 2023 e na primavera de 2024. Esses desvios de sazonalidade resultam em uma maior imprevisibilidade dos surtos, fato que torna o cenário epidemiológico mais desafiador para o planejamento das campanhas de vacinação.
O gráfico a seguir mostra dados dos nossos parceiros, representados pela linha azul, com os dados públicos de casos graves (Srag) derivados de infecções por influenza B entre 2022 e 2026, representados abaixo pelas barras coloridas. Observa-se que, em ambos os cenários, as tendências são similares, porém a positividade é o primeiro indicador a sofrer alteração se comparado com os dados brutos de Srag.
Em 2026, crianças de 5 a 9 anos foram as mais atingidas entre a SE 18 (encerrada em 9/5) e a SE 30 (encerrada em 1/8). Na última semana analisada, a SE 37, a faixa etária de 10 a 19 anos concentrou 17% dos testes positivos para influenza B, enquanto a faixa de 5 a 9 anos respondeu por 16%.
Além dos dados de testes laboratoriais, o monitoramento genômico do influenza B contribui para acompanhar as linhagens virais em circulação e identificar possíveis mudanças relevantes ao longo do tempo. Essas informações complementam a vigilância epidemiológica e auxiliam na compreensão da dinâmica recente de circulação do vírus.
De acordo com os dados gerados a partir do sequenciamento de amostras coletadas entre abril de 2025 e março de 2026 por laboratórios parceiros, é possível observar a circulação concomitante de diferentes linhagens desde janeiro de 2025, com destaque para os clados C.3 (C.3, C.3.1) e C.5 (C.5.6, C.5.6.1 e C.5.7).
As análises genômicas e filogenéticas revelam um padrão diversificado de disseminação do vírus pelo país. Essas informações poderão subsidiar futuras estratégias de saúde pública, como a atualização da composição das vacinas antigripais. Cabe ressaltar, porém, que os dados genômicos disponíveis ainda possuem limitações geográficas e não permitem tirar conclusões definitivas sobre todo o território nacional. Por essa razão, continuamos trabalhando para ampliar a disponibilidade e a representatividade geográfica dos dados de patógenos. Se quiser saber mais sobre esses genomas, clique aqui.
Entre os vírus respiratórios analisados pelo ITpS, o VSR foi o único que apresentou uma dinâmica mais sazonal, embora destoe do padrão recorrente, que, até 2019, se dava no inverno. Em 2025, atingiu 22% de positividade na Semana Epidemiológica (SE) 17 (encerrada em 26/4), a maior dos últimos três anos para o período.
Em 2026, a positividade para VSR cresceu a partir da SE 4 (encerrada em 31/1) e atingiu o pico de 17% na SE 26 (encerrada em 4/7). Após esse período, o índice entrou em queda, chegando a 3% na última semana analisada, a SE 37 (encerrada em 19/9).
O gráfico a seguir mostra a positividade para o VSR em comparação aos casos graves de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) causados pelo mesmo vírus. As curvas de ambas as variáveis seguiram tendências muito similares, sendo que a positividade cresceu de forma antecipada em relação a aumentos visíveis de casos de Srag.
Como qualquer vírus em circulação, o VSR também sofre mutações à medida que infecta seus hospedeiros. Variantes surgem e algumas delas podem ter propriedades diferenciadas, ou seja, ser mais transmissíveis, mais evasivas a vacinas, etc.
Abaixo, é possível observar as linhagens de VSR-A e VSR-B que circularam com maior frequência desde janeiro de 2025, de acordo com os dados genômicos disponíveis, gerados a partir de sequenciamento dos vírus.
Os dados genômicos disponíveis são limitados geograficamente e não nos permite tirar conclusões. Seguimos buscando ampliar a disponibilidade de dados genômicos de patógenos, com representatividade geográfica. Os genomas de VSR incluídos nestas análises estão disponíveis no banco de dados Pathoplexus (SeqSet: PP_SS_1750.9) e as análises de filogenia estão disponíveis nos links a seguir: VSR-A, VSR-B.
Além dos quatro patógenos citados, alguns testes detectam simultaneamente um outro conjunto de vírus nas amostras – rinovírus, enterovírus, metapneumovírus, vírus parainfluenza, bocavírus, coronavírus sazonais e adenovírus –, além de bactérias dos gêneros Bordetella, Mycoplasma e Chlamydophila.
Dentre os patógenos identificados nesse tipo de exame mais amplo na SE 37, a última analisada (encerrada em 19/9), as maiores positividades foram registradas para: rinovírus (40%), coronavírus sazonais (15%), metapneumovírus (7%), adenovírus (7%), bactérias (3%) e vírus parainfluenza (2%).
Menos frequentes, esses exames também detectam os quatro principais vírus citados na seção 1, também apresentados aqui em caráter comparativo de frequência.
O rinovírus esteve presente em pelo menos 52% dos exames realizados na SE 37. Em ordem de frequência, neste mesmo período, as outras infecções foram causadas por coronavírus sazonais (20%), adenovírus (9%), metapneumovírus (9%), bactérias (4%), influenza A (2%), influenza B (2%) e vírus parainfluenza (2%).
Como muitos desses patógenos impactam a saúde de crianças, esses exames de painel amplo são de duas a três vezes mais usados na faixa etária de 0 a 4 anos. Por essa razão, observa-se uma concentração maior de exames positivos.
Na SE 37, nesses exames de painel mais amplo, que dão um panorama mais preciso do que circula entre crianças de 0 a 4 anos, houve predominância de infecções por rinovírus (44%), coronavírus sazonais (16%), adenovírus e metapneumovírus (12%).
Atenção aos sintomas respiratórios: os principais vírus continuam circulando, mesmo em baixa frequência, e impactam a saúde dos mais vulneráveis. O Programa Nacional de Imunizações (PNI), com mais de 50 anos de trajetória bem-sucedida, oferece vacinas que diminuem significativamente o risco de casos graves e internações por covid-19, gripe e VSR. Mantenha sua vacinação em dia!
O ITpS agradece aos laboratórios parceiros Dasa, DB Molecular, Fleury, Hermes Pardini, Hilab, HLAGyn, Einstein Hospital Israelita, Sabin e Target, que, semanalmente, nos fornecem dados de exames diagnósticos (RT-PCR, Flow Chip e antígeno) para a compreensão do atual cenário epidemiológico.